Família atropelada volta ao País

Marido retorna, corpo de mulher chega hoje e filha segue internada

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

01 Agosto 2008 | 00h00

O advogado Wilson Kida, de 52 anos, retornou ontem ao Brasil. Sua mulher , a engenheira química Suely, de 51 anos, morreu e sua filha, Bianca, de 17 anos, está internada em um hospital em Cancún, no México. A família foi atropelada no sábado, um dia antes de voltar de férias. Kida chegou ontem ao País, depois de quase uma semana de angústia. William, o outro filho do casal, ficou com a irmã. "Se a família não tivesse renda, minha irmã seria enterrada no México. Fizemos um rateio entre parentes e amigos e enviamos dinheiro ao meu sobrinho", conta Célia Maria da Silva, irmã de Suely, que recebeu a informação de que o motorista responsável pelo acidente foi preso. Em menos de um dia, os amigos levantaram R$ 20 mil que ajudarão a custear as despesas de US$ 50 mil com hospitais. "O William vai ficar ao lado da irmã no hospital", conta a namorada do rapaz, Laís Ponpiani. O corpo de Suely chega hoje a São Paulo. Os familiares lamentam a falta de apoio governamental . Depois de sete dias, ela será enterrada no Cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista, zona leste. Depois de uma semana de férias em Cancún, os Kida resolveram ir a uma loja no centro para comprar as últimas lembrancinhas para parentes e amigos. Suely e a filha Bianca estavam na calçada, quando foram atingidas por um caminhão desgovernado. Suely e outro pedestre morreram na hora. Bianca foi hospitalizada às pressas. "Eles não falavam uma palavra em espanhol. Os dias passavam e ninguém do governo brasileiro oferecia ajuda", conta Célia. Bianca foi encaminhada para um hospital local e foi direto para UTI. O quadro era de edema cerebral e fratura nos braços. "Minha sobrinha já está melhor, passou por três cirurgias, precisou tirar o baço e ainda não sei se ela sabe que a mãe morreu", diz Célia. Wilson sofreu ferimentos leves e Willian não foi atingido. A família diz que contou com a solidariedade de outros turistas brasileiros, que ofereceram ajuda, mas o apoio do Itamaraty afirmam não ter tido. Por meio da Assessoria de Imprensa, o Itamaraty informou que desde o início prestou assistência à família Kida e que a atuação da Embaixada Brasileira no México foi para "auxiliar" na obtenção do atestado de óbito e liberação do corpo. COLABOROU MÔNICA CARDOSO

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