Família brasileira acusa pai de S. de frustrar garoto

Pai falta a visita e impede que menino viaje no feriado, acusa padrasto; Goldman alega motivo profissional

Alexandre Rodrigues, da Agência Estado,

16 de junho de 2009 | 18h54

Embora tenha vindo a Brasília para o julgamento que cassou a liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que impedia a volta do menino S. aos Estados Unidos, há uma semana, o americano David Goldman não foi ao Rio visitar o filho, como havia solicitado. Ao responder a novas acusações do pai americano de que a família brasileira o difama diante do garoto, Sérgio Tostes, advogado do padrasto de S., João Paulo Lins e Silva, disse que o próprio Goldman oferece impressões negativas ao menino ao faltar às visitas.

 

"Há um desinteresse pelo filho. Atrapalhou o fim de semana da criança, não apareceu e nem telefonou. É claro que o menino fica aborrecido", disse Tostes. Segundo familiares, S. deixou de ir com os avós para Búzios e acordou cedo para esperar o pai na última sexta-feira, dia da visita marcada por Goldman. O menino também teria ficado esperando o pai na semana anterior, quando Goldman decidiu voltar aos Estados Unidos, após a liminar do STF.

 

Ao Estado, Goldman alegou que voltou por motivos profissionais. Seu advogado, Ricardo Zamariola, disse que Goldman se despediu do filho antes de viajar, mas confirmou que ele não pôde ir à vista de sexta. Para ele, seu cliente não poderia frustrar planos de viagens, porque o menino não pode sair da cidade do Rio sem autorização judicial. Por um acordo na Justiça, Goldman pode ver o filho diariamente quando está no Brasil. Segundo Zamariola, as visitas são avisadas por telegrama, mesmo instrumento usado para cancelar.

 

Tostes mostrou o telegrama de cancelamento. Foi endereçado, menos de duas horas antes do encontro, ao escritório de um dos advogados do padrasto. Por causa do fim de semana prolongado, a família não foi avisada. Para Tostes, o comportamento de Goldman ajuda a argumentação que manterá no processo de apelação no Tribunal Regional Federal (TRF): quer que S. seja ouvido.

 

No dia do quinto aniversário da viagem do menino ao Brasil, Goldman afirmou nesta terça-feira, 16, em entrevista ao programa "Good Morning America", da rede americana ABC, que S. está sofrendo e resistindo a "uma grande pressão" da família brasileira para que o menino se volte contra ele. Uma vigília em favor de Goldman estava marcada para esta noite em seis cidades americanas.

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