Família de agricultor teme represália

Os familiares do agricultor Duílio Pessoto, de 56 anos, que matou o primo, três amigos e depois cometeu suicídio, nesta quinta-feira, em Jundiaí,a 60 quilômetros de São Paulo, temem represálias por parte dos parentes das vítimas, todos descendentes de famílias italianas. A Guarda Municipal da cidade reforçou as rondas próximas à casa do agricultor, no bairro do Caxambu. No enterro das vítimas, nesta sexta-feira pela manhã, houve desespero e revolta entre parentes. Para evitar encontros dos familiares, a polícia de Jundiaí pediu que o Serviço Funerário colocasse as vítimas em um velório, e o homicida em outro. Porém, os familiares de Pessoto decidiram não velar o corpo e mandá-lo do Instituto Médico Legal (IML) para o Crematório da Vila Alpina em São Paulo. Pessoto matou os amigos porque, no último domingo, estes teriam questionado sua masculinidade, por ele morar sozinho aos 56 anos. A brincadeira ocorreu numa rodinha, no restaurante "Vendinha do Alto", no bairro da Colônia, segundo, Nivaldo Hoffmann. Ele foi poupado porque estava no bar com a neta no colo, quando viu Pessoto entrar "sem falar nada e descarregar dois revólveres", um calibre 32, e outro, 38. O delegado do 3º Distrito Policial de Jundiaí, Fernando Manoel Bardi, já ouviu várias testemunhas. Elas mantiveram a história de que Pessoto teria saído do bar prometendo mostrar quem era homossexual. O delegado contou que o agricultor teve três dias para preparar o seu plano contra os amigos.O primeiro a ser sepultado, às 8h, no Cemitério dos Ipês, foi Antônio Segala, de 58 anos. O segundo, às 9h, foi o comerciante Benedito Silva, dono da "Vendinha". Os filhos choraram muito e estavam revoltados. Foram colocados seguranças para evitar aproximação da imprensa. Depois, às 11h, foi a vez de Felipe Keller, de 57 anos, e, por último, o primo do assassino, Laerte Pessoto, de 50 anos, o primeiro a ser morto. A tia dos dois, Ângela Manzato, disse que eles eram "superbons e não arrumavam confusão com ninguém". A mulher chegou a passar mal logo depois do enterro e foi levada para o Hospital São Vicente de Paulo, onde ficou em observação.

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