Família de brasileira morta na Espanha vive drama no Paraná

Eles sofrem com a falta de informações sobre o caso e continuam sem uma perspectiva de solução

Miguel Portela, de O Estado de S.Paulo,

31 de março de 2008 | 22h48

O drama da família da doméstica brasileira, Tatiane de Oliveira, 24 anos, encontrada morta na madruga do dia 27 de março, em Tenerife, Espanha, continua sem uma perspectiva de solução iminente. Até à tarde desta segunda-feira, 31, nenhum representante do governo brasileiro ou espanhol entrou em contato com os familiares, que moram em Cascavel, no oeste do Paraná, para informar sobre a liberação e translado do corpo para o enterro na cidade paranaense. "Estamos sem saber o que fazer", diz Kátia de Oliveira, um das irmãs da vítima. Na última sexta-feira, os familiares procuraram ajuda da Polícia Civil em Cascavel, que comunicou o fato Divisão de Assistência Consular do Itamaraty em Brasília com a intenção de orientar os familiares sobre o procedimento de translado do corpo da Espanha para o Brasil. "A nossa maior dificuldade é que não temos respostas oficiais das autoridades sobre as circunstâncias da morte da minha irmã", afirma Kátia. De acordo com ela, a família, que mora numa casa humilde em Cascavel, não tem condições financeiras de enviar um representante para acompanhar o caso na Espanha e "muito menos dinheiro para o translado do corpo para enterro em Cascavel". De acordo com Kátia, o transporte custaria cerca de R$ 20 mil. Nesta segunda-feira, a ex-cunhada da vítima, a também brasileira Lucinéia Belo dos Santos, imigrante na Espanha, viajaria até Tenerife para fazer o reconhecimento do corpo no necrotério. "Estamos aguardando a qualquer momento o contado dela (Lucinéia), para aliviar um pouco a nossa angústia", disse Kátia. O Itamaraty informou nesta tarde que o fato foi encaminhado para o consulado brasileiro em Madri. Este aguarda informações oficiais das autoridades locais. "Até agora não temos nada de oficial sobre a morte da brasileira", diz o Itamaraty.  A polícia espanhola informou que a brasileira tinha se enforcado, mas essa versão é contestada por familiares. Eles acreditam que a doméstica pode ter sido assassinada. O namorado espanhol, Bernardo Assunção, é o principal suspeito do crime. Uma amiga da brasileira disse a família que ela foi enforcada pelo namorado, que nega a acusação. No último contato realizado com a mãe, Beatriz Oliveira, dia 24 de março, a doméstica teria dito que estava grávida do namorado. Os dois viviam no mesmo apartamento há cerca de dois meses. De acordo com a família, Tatiane imigrou para a Espanha com a intenção de ganhar dinheiro para construir sua casa, onde pretendia morar com os quatro filhos, depois que retornasse a Cascavel.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.