Família de brasileiro morto em NY tenta trazer corpo ao País

Pernambucano saiu do Brasil há 8 anos e estava no Brooklyn há 3meses; família precisa pagar taxa de US$ 10 mil

Ângela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

02 Outubro 2008 | 16h49

Um brasileiro foi morto no Brooklyn, em Nova York, no domingo à noite. O corpo de José Ricardo Ferreira de Souza, de 31 anos, foi encontrado na praia de Brighton e hipótese é a de que houve latrocínio - roubo seguido de morte. José Ricardo havia feito aniversário no último dia 24. Neste dia, mandou US$ 150 para sua irmã, Silvana Ferreira de Souza, de 37 anos, pagar a conta do telefone, que estava atrasada. Agora, a família dele tenta trazer o corpo ao Brasil.    Para Silvana, casada e com dois filhos, a morte do irmão nestas circunstâncias é "chocante, dolorida e constrangedora". Chocante pela morte violenta, pois ele era "uma pessoa boa, serena, que gostava de ajudar ao próximo", ligado a trabalhos na Igreja Antiga Católica Americana. Dolorida, por ser prematura e por se tratar de um irmão querido. Constrangedora pela possibilidade do seu corpo ser enterrado como indigente.   É preciso o pagamento de uma taxa de US$ 10 mil, para que ele não seja enterrado como indigente. "Não vamos permitir isso", reforçou Maria José Ferreira de Souza, de 34 anos, também irmã de Ricardo. "E vamos querer justiça". Ela garante que ele vivia legalmente nos Estados Unidos. "Se estivesse ilegal, o governo o mandaria de volta, pagaria sua passagem", protestou.   Segundo Silvana, no domingo à noite, pouco antes da sua morte, José Ricardo falou com o sobrinho, o seu filho mais velho, Naéliton, de 10 anos, pela internet. "Eles estavam se falando quando Ricardo disse que ia dar uma voltinha e que depois entraria novamente em contato". Ela afirmou que o irmão morava em uma espécie de república, com outros amigos.   Caçula de cinco irmãos, José Ricardo deixou o País há oito anos através do trabalho na igreja. Primeiro foi para a Argentina e depois para os Estados Unidos. Estava há três meses no Brooklyn, onde trabalhava num escritório de advocacia. Ele cursou até o ginásio no Brasil. Suas irmãs não sabem se ele deu continuidade a algum estudo fora do país. São testemunhas, porém, do fato de ele sempre ter buscado uma forma de ajudar a família, simples, que sempre trabalhou pela sobrevivência. Há três anos ele veio rever os familiares. Seus pais já morreram.   Atualizado às 20h17 para acréscimo de informações

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