Família de empresário baleado descarta tentativa de assalto

Familiares do empresário Eduardo Capobianco, baleado hoje nas pernas, no centro de São Paulo, descartaram, depois de ouvir o relato dele no início da tarde, a possibilidade de assalto. Uma pasta cheia de papéis e livros teria salvado o empresário de receber os dois tiros no peito.Integrantes das organizações não-governamentais (ongs) em que ele atua, a Transparência Brasil e o Instituto São Paulo contra a Violência, ainda estão reticentes. "Foi, claramente, tentativa de homicídio", afirmou o irmão dele, João Paulo Capobianco, coordenador do Instituto Sócio Ambiental (ISA)."A forma como ocorreu, descaracteriza um assalto comum de rua, mas circunstâncias ainda estão muito obscuras", argumen tou o secretário-geral da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo. O conselheiro da Transparência, Rubens Naves, disse que deve "torcer" para que a hipótese de atentado seja descartada. "Caso contrário, poderemos estar entrando em uma nova área de violência", disse Naves.Abramo e Naves acham que "ainda é cedo" para confirmar a hipótese de atentado. "Ele não havia recebido uma única ameaça, o que é comum nestes casos", afirmou Abramo. "Vamos acompanhar as investigações e esperar."De acordo com o relato do empresário, ele foi abordado por dois homens armados, que ocupavam uma motocicleta, assim que desceu do carro na garagem do prédio de seu escritório, na região central. "Ele pensou que se tratava de um assalto e ofereceu a pasta que trazia na mão", contou o irmão João Paulo. "Um dos homens apontou a arma e mandou ele abaixar a pasta, que estava em frente ao seu peito. Como ele se recusou, o homem disparou duas vezes."As duas balas de pistola calibre 765 pararam nos livros e nas pilhas de papéis que estavam dentro da pasta. "Ele percebeu que era um atentado e correu para a rua", afirmou João Paulo. Na fuga, os homens efetuaram diversos disparos e dois deles atingiram uma das pernas de Capobianco. Além das cápsulas da 765, a polícia encontrou no local várias cápsulas deflagradas de revólver calibre 45.O empresário é presidente da Transparência Brasil e um dos diretores do Instituto São Paulo Contra Violência. "As duas ONGs trabalham com áreas muito sensíveis, a corrupção e a violência", lembrou Naves. "A São Paulo Contra a Violência tem atingido setores do crime organizado e do tráfico de drogas, e a Transparência Brasil tem atingido a corrupção política."

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