Família de João Hélio presta homenagem ao garoto

Uma emocionada homenagem à beira da sepultura no cemitério de Jardim Sulacap, na zona oeste do Rio, em que está enterrado o menino João Hélio Fernandes Vieites, morto após ser arrastado preso a um carro roubado por bandidos há pouco mais de um mês, marcou neste domingo, 18, a passagem dos sete anos de nascimento do garoto. No "aniversário" da criança, seus pais, Elson Lopes Vieites e Rosa Cristina Fernandes, acompanhados da filha do casal, Aline, e de parentes e amigos, levaram flores ao túmulo, por volta das 10h30, e rezaram. Elson prometeu continuar a participar de manifestações pela paz. O assassinato do garoto suscitou nova discussão sobre agravamento de penas para criminosos violentos e redução da maioridade penal para 16 anos.Na segunda-feira, 19, a juíza Adriana Almeida, do Juizado de Menores, divulgará a medida socioeducativa que o único dos acusados pelo crime que é menor, E, de 16 anos, terá que cumprir pelo homicídio. Por lei, porém, não poderá ficar detido mais de três anos. Ele é acusado pela Polícia Civil de ter rendido a mãe do garoto, mas, agora, na Justiça, nega a acusação. Também foram denunciados pelo crime Carlos Eduardo Toledo Lima, de 23 anos, apontado por supostamente ter assumido o volante do veículo, e Diego Nascimento da Silva, de 18, que teria ido no banco do carona, além de Tiago Abreu Mattos, de 18, e Carlos Roberto da Silva, de 21, que teriam estado no táxi que levou o bando até o local em que Rosa e os filhos foram atacados.Em 7 de fevereiro, Rosa foi abordada por bandidos em Oswaldo Cruz, na zona norte, quando estava com os filhos ao volante do veículo. Sob ameaça, ela e Aline conseguiram sair rapidamente. O menino, porém, ficou preso ao cinto de segurança, do lado de fora, sem que as duas tivessem tempo de soltá-lo. Os criminosos arrancaram com o carro, arrastando a criança pelo asfalto por sete quilômetros, apesar dos protestos dos passantes. Chegaram a ameaçar, com uma arma, um motociclista que emparelhou seu carro com o veículo roubado. A um motorista que avisou que havia um corpo pendurado no veículo, um deles, segundo a polícia, afirmou que era "um boneco de Judas".A cronologia do crime 7 de fevereiro: João Hélio Fernandes, de 6 anos, é arrastado por sete quilômetros preso ao cinto de segurança do carro de sua mãe, que havia sido roubado, na zona norte do Rio de Janeiro. 8 de fevereiro: Diego Nascimento da Silva, de 18 anos, confessa ter dirigido o carro roubado, mas disse que não percebeu que o menino estava preso ao cinto. 13 de fevereiro: Sob vaias e ameaças os acusados da morte de João Hélio chegam à delegacia para acareação com o delegado Hércules Pires do Nascimento, que investiga o caso. Ele queria ouvir Carlos Roberto da Silva, de 21 anos, Carlos Eduardo Toledo, o Dudu, de 23 anos, Tiago Abreu Matos, de 19, e Diego Nascimento da Silva, de 18 anos, para saber que participação cada um teve no crime. 14 de fevereiro: Câmara aprovou que os condenados por crimes hediondos terão direito ao benefício de progressão de pena e liberdade provisória depois de cumprirem 1/3 da pena. No caso dos reincidentes, terão de cumprir pelo menos metade da pena para ter o benefício. Antes, mesmo para os condenados por crimes hediondos, o benefício só era para quem cumprisse 1/6 de pena. Na prática, um condenado a 30 anos podia pleitear mudanças na internação depois de cinco anos. Com a mudança, quem tiver condenação semelhante só poderá pleitear benefícios com dez anos. 14 de fevereiro: De acordo com o projeto aprovado na Câmara agora é considerado falta grave o porte ou uso de telefones celulares e aparelhos de rádio comunicação dentro dos presídios. Além disso, agentes penitenciários e diretores de cadeias que facilitarem a entrada desses objetos nos presídios podem ser condenados de três meses a um ano de prisão. 15 de fevereiro: A Polícia Civil do Rio realizou uma simulação do crime para reforçar o depoimento de duas testemunhas-chave que foi essencial para identificar o assaltante que dirigia o veículo. 15 de fevereiro: Câmara dos Deputados aprovou o terceiro projeto de um pacote de medidas de segurança pública. O projeto de lei agrava a pena dos criminosos maiores de idade que usarem menores nas ações criminosas. A Comissão de Direitos Humanos do Senado também sancionou projeto com proposta semelhante. 16 de fevereiro: Rosa Cristina Fernandes, mãe de João Hélio, dá depoimento na polícia e desmente versão dos criminosos. Eles disseram que usavam arma de brinquedo no momento do assalto, mas, segundo ela, o som produzido no vidro do carro era feito por armas de metal que foram apontadas contra às vítimas. 27 de fevereiro: Ministério Público do Rio de Janeiro apresenta denúncias contra os acusados. Os quatro assassinos maiores de 18 anos não foram acusados de corrupção de menores pois, para o MP, o menor envolvido no crime não teria sido convencido a participara da ação. 28 de fevereiro: No Senado, o governo adiou para o dia 28 a votação, na Comissão de Constituição de Justiça, sobre a redução da maioridade penal para 16 anos, nos casos de crimes hediondos. Também no dia 28 será examinada a emenda que propõe a criação de uma lei que, excepcionalmente, poderá desconsiderar o limite de punição penal.Matéria alterada às 16h33 para acréscimo de informações

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