Família de menor baleado no Alemão pretende processar Estado

Adolescente de 15 anos teria sido baleado nas costas quando caminhava na comunidade por policiais da UPP

Antonio Pita ,

30 Abril 2012 | 18h33

RIO - A Polícia Militar do Rio investiga uma nova denúncia de violência de policiais contra moradores do Complexo do Alemão. Na noite de domingo, o adolescente Evandro Luciano de Oliveira, de 15 anos, foi baleado nas costas quando caminhava na comunidade da Fazendinha. A família da vítima acusa policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada no último dia 18. A versão foi confirmada por uma testemunha em depoimento à Corregedoria da PM.

A testemunha afirmou ter visto um grupo de nove policiais atirar contra jovens na região, que fica na divisa entre as favelas de Fazendinha e Nova Brasília. O local é apontado pela polícia como ponto de venda de drogas. Segundo a testemunha, Evandro estaria próxima ao grupo quando foi atingida por um dos disparo. Dois policiais militares teriam dito para a vítima correr e negado atendimento médico.

O adolescente está internado no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. Ele foi socorrido por um morador da região e deu entrada no hospital por volta das 19h. Na manhã de ontem, ele foi submetido a uma cirurgia vascular e passa bem. A família da vítima afirmou ontem que pretende processar o Estado. Segundo os parentes, Evandro saiu de casa para comprar frutas quando foi atingido.

Em nota, a PM informou que a Delegacia de Polícia Judiciária Militar está investigando o caso. Quatro policiais já foram ouvidos e as armas de todos os policiais em serviço nas UPPs da Fazendinha e Nova Brasília na noite do crime foram recolhidas. "Não tenho relatos de confronto armado naquele horário, mas as armas estão a disposição da perícia. Os depoimentos estão confusos. Por isso estamos investigando", afirmou o capitão da UPP Fazendinha, Ronaldo Salgado.

Esta é a terceira denúncia de violência na região das novas UPPs em pouco mais de uma semana. No dia 23 de abril, apenas cinco dias após a inauguração das unidades, policiais trocaram tiros com traficantes de drogas da região. Na madrugada seguinte, moradores relataram ter ouvido novos disparos na favela.

As Unidades de Polícia Pacificadora foram instaladas em substituição às tropas do Exército. Outras seis unidades devem ser inauguradas em outras comunidades da região até o final de junho.

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