Família de mulher promete processar União por furto de celular e pertences

O advogado Maurício Saraiva vai processar a União por causa do sumiço de pertences e documentos de sua mulher, Graça Rickli, morta no acidente com o Boeing da Gol, em 29 de setembro do ano passado, que matou 154 pessoas. Ele considera ''''inaceitável'''' o fato de o celular de Graça ter sido negociado no mercado de telefones roubados do Rio, dez dias depois da tragédia. Culpa o governo, também, por permitir que os documentos da passageira caíssem nas mãos de falsários que financiaram um carro em nome dela, nove meses depois de sua morte.''''Como não posso acionar a Aeronáutica diretamente, acionarei a União'''', disse ontem Saraiva. Ele lembrou que a Força Aérea cercou o local do acidente e não permitiu sequer o acesso de familiares das vítimas à área. ''''A partir do momento em que a Aeronáutica recusou ajuda do Exército e nos disse que não deixaria nem que índios entrassem no local para não haver saque, ela chamou para si essa responsabilidade'''', diz o advogado, decidido a apresentar à Justiça Federal, até o final da semana que vem, uma ação com as duas filhas da vítima, Anne e Catherine Rickli.Segundo o advogado, será uma reclamação específica, em relação ao cuidado que a Aeronáutica deveria ter tido com os pertences das vítimas, alguns deles presos ao corpo, como brincos e alianças. ''''O Estado tem de assumir responsabilidade. Não pode ser inconseqüente'''', acrescentou, ao salientar que a Gol foi ''''afastada'''' da tarefa do resgate dos corpos e dos bens na selva matogrossense, onde caiu o Boeing.O único pertence de Graça que a família conseguiu recuperar até agora foi o par de tênis que ela usava. Foi o próprio marido quem identificou o tênis da mulher em meio a cem outros pares de sapato, todos depositados no galpão onde a Gol reuniu os objetos recolhidos pela Aeronáutica. Esse material ficou sob a guarda do Ministério Público do Distrito Federal e colocado à disposição dos familiares no Aeroporto Internacional de Brasília. O MP se encarregou de enviar o que foi identificado às famílias dos mortos.O promotor Diaulas Ribeiro divulgou, à época, que entre os pertences achados estavam dezenas de laptops, 150 pares de meias, 100 pares de sapatos, roupas, brinquedos, livros objetos eletrônicos e dois telefones celulares. Mas tudo, segundo o promotor, estava em péssimo estado de conservação. ''''Tudo o que foi encontrado está inutilizado, deteriorado, sem condição de uso. A devolução será feita por razão sentimental'''', disse o promotor, na ocasião.

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