Família de mulher que morreu após o parto acusa hospital

Os vizinhos da Rua Áurea da Gama, no Jardim Piracuama, na zona norte de São Paulo, já tinham combinado tudo. Quando Maria de Fátima Santos, de 20 anos, chegasse com os gêmeos Daniel e Danilo no colo, uma grande festa seria realizada. Mas um telefonema no fim da tarde da última segunda-feira, 26, encerrou os preparativos para a recepção à nova mamãe. Fátima não voltaria mais. Tinha acabado de morrer no Hospital Municipal do Campo Limpo.Maria de Fátima foi internada na sexta-feira, 23. No mesmo dia, foi submetida a uma cesariana e deu à luz dois meninos sadios: Daniel e Danilo. Assim como todo o período de pré-natal, o parto foi tranqüilo. Segundo os parentes de Fátima, no domingo de manhã, ela teve uma parada respiratória. A mulher teria sido levada à emergência do hospital e em aproximadamente 40 minutos voltado ao quarto. Na segunda-feira, ela acordou disposta, mas às 17h30, Fátima se sentiu mal novamente. No hospital, tentaram realizar uma tomografia na paciente. Como ela estava muito agitada, não conseguiram. Às 18 horas, Fátima estava no quarto outra vez. O marido, José Mauro Xavier Oliveira, de 30 anos, contou que sua esposa parecia ter dificuldade para respirar. Assustado com o estado de Fátima, ele teria chamado uma enfermeira, que teria dito: ?Você não é médico para saber se ela está passando mal.??Fiquei desesperado. Com a ajuda de um menino de 12 anos, peguei minha mulher no colo e coloquei ela em uma maca. Entramos no elevador e descemos do 7ª andar até a emergência, no térreo.? Emocionado, ele continua: ?Lá, ela teve sua primeira parada cardíaca. Mas, foi reanimada. Teve uma segunda. E foi reanimada. Teve uma terceira. E foi reanimada. Na quarta, ela morreu...? Quando souberam da morte de Fátima, os vizinhos organizaram um protesto na porta do Hospital do Campo Limpo, por volta das 8 horas. ?Isso não foi um acidente. Minha mulher foi assassinada?, dizia Mauro. O superintendente do Hospital do Campo Limpo, Ricardo Gebrim, afirmou que uma averiguação interna foi aberta. ?Vamos descobrir se houve responsabilidade de alguém nesse falecimento.? Gebrim confirmou o quadro de dificuldade respiratória de Fátima - que evoluiu para uma parada cardíaca. ?Ainda assim, vamos esperar o laudo do IML para saber a real causa da morte.? O laudo deve sair entre 30 e 60 dias.Líderes da comunidade providenciaram faixas e cartazes com dizeres contra a saúde pública e exigindo justiça. A imprensa foi avisada. Cerca de 100 pessoas participaram do protesto, que durou até as 11h30 - quando o grupo seguiu para o Cemitério Jardim da Paz, em Embu. ?Difícil entender como uma menina saudável chega ao hospital para dar a vida e acaba morrendo. Não podemos deixar isso acontecer com outras mães?, disse o irmão de Mauro, Manoel Messias Xavier. Os gêmeos Daniel e Danilo devem ficar com o pai. Avós e amigos prometem ajudar na criação dos meninos.

Agencia Estado,

28 de março de 2007 | 10h46

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