Família de Sean diz que briga pela guarda do menino continua

Ao contrário do que disse antes do Natal, advogado afirma que entrega ao pai 'não encerra processo judicial'

Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2009 | 19h45

Ao contrário do que afirmou na antevéspera do Natal, de que a família brasileira do menino Sean Goldman, de 9 anos, iria parar de brigar por sua permanência no Brasil, o advogado Sérgio Tostes divulgou nota à imprensa no fim da tarde desta segunda-feira, 28, dizendo que a entrega de Sean ao pai americano David Goldman "não encerra o processo judicial."

 

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Tostes informou que vai entrar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) recorrendo da decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES) que determinou a entrega de Sean ao pai. "Caso os tribunais superiores venham a modificar a decisão do TRF-2, a família confia em que serão tomadas pelas autoridades brasileiras todas as medidas para que haja o retorno imediato de Sean ao Brasil", diz a nota.

 

O advogado aguarda ainda o exame do Supremo Tribunal Federal (STF) do mérito do pedido impetrado em nome da avó de Sean, Silvana Bianchi, para que ele seja ouvido em juízo. "Caso a decisão seja proferida conforme o pedido da avó, uma Carta Rogatória será enviada aos Estados Unidos, local onde S, se encontra presentemente, para que ele seja ouvido em Juízo."

 

Na terça-feira passada o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, concedeu liminar cassando outra concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello que suspendia a determinação do TRF 2. Com isso, o menino foi entregue ao pai. Em entrevista à imprensa concedida logo após a entrega, Tostes havia afirmado que "a família decidiu que a agonia iria acabar" e que estava "deixando claro que as armas estavam depositadas."

 

ENTREVISTA

 

Em Nova Jersey, David Goldman disse que o menino ainda não o chama de "papai". Em entrevista exibida hoje no programa Today, da emissora de televisão NBC, David afirmou que Sean está contente em estar com ele, mas ainda precisa de tempo para se acostumar com seu entorno familiar.

 

David disse ter dito a Sean que o garoto pode chamá-lo de "papai", mas que o menino não respondeu. O impasse pela guarda de Sean começou em 2004, quando a então mulher de David, a brasileira Bruna Bianchi, levou o filho, então com quatro anos, para o Brasil. Bruna Bianchi se divorciou do americano no Brasil e se casou com o advogado Paulo Lins e Silva. Ela morreu em 2008, quando deu à luz uma menina. Goldman se reencontrou com o filho na última quinta-feira no Rio de Janeiro, quando deixaram o País.

 

A NBC pagou os custos de um avião fretado para que eles regressassem aos EUA. Por enquanto, David e Sean estão na Flórida com parentes. Após a morte de Bruna, o caso começou a chamar a atenção da imprensa nos dois países.

 

(Com Agência Estado e Associated Press)

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