Marcos de Paula/AE
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Família de Sean no Brasil busca acordo com pai americano

David Goldman foi convidado a passar Natal na casa da avó materna; ele espera reverter decisão do STF

Clarissa Thomé e Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2009 | 19h46

A família brasileira do menino Sean Goldman, de 9 anos, disse que está buscando um entendimento com o pai da criança, o modelo David Goldman. O americano foi convidado para passar o Natal na casa da avó materna, Silvana Bianchi. Apesar do discurso conciliador, o advogado Sérgio Tostes, disse que, "se for necessário", tentará provar que Goldman "não é apto para criar o filho."

 

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Goldman, numa entrevista emocionada em frente ao hotel em que está hospedado, disse que tem esperança de passar o Natal com o menino, em casa. Sem entrar em detalhes sobre a estratégia que seus advogados vão usar, ele afirmou que acredita que a liminar obtida pela família brasileira no Supremo Tribunal Federal (STF) seja suspensa. "Espero que possamos seguir com nossas vidas, como pai e filho, e voltar para casa, para nossa família, aproveitar o Natal, as férias, brincar no jardim, e fazer coisas que costumávamos fazer como, ir ao cinema e comer pipoca."

 

Christopher Smith, congressista do estado de Nova Jersey, que vem acompanhando o caso de Sean, disse que os advogados de Goldman apelaram nesta sexta para o presidente do Superior Tribunal Federal, Gilmar Mendes, para tentar derrubar a liminar concedida à família brasileira pelo ministro Marco Aurélio Mello. Procurado pelo Estado para confirmar a informação, Ricardo Zamariolla não atendeu as chamadas feitas para o seu telefone celular.

 

Já Sergio Tostes disse que ainda não recorreu da decisão do Tribunal Regional Federal, que determinou a volta da criança aos Estados Unidos, porque vai esperar o julgamento do mérito da liminar concedida pelo STF. "Lutamos de todas as maneiras num cabo de guerra. Agora estamos depositando as armas. Queremos discutir (esse encontro no Natal) para que a convivência entre eles seja como deve ser a relação de pai e filho."

 

Mas, logo depois, pressionado pela imprensa americana o porquê da permanência do menino com a avó, se o pai é apto a criá-lo, ele disse: "Se for necessário, vou provar que ele não é apto para criar o filho". Tostes, ressaltou, que o momento agora é o de buscar o entendimento "para o bem do menino."

 

Antes da entrevista de Tostes, com a presença da avó materna, Goldman voltou a dizer que os contatos entre ele e o filho têm sido dificultados. "Ele nem ao menos recebe cartas", disse, exibindo um envelope, que teria sido postado em 16 de novembro para o Brasil, e foi devolvido pelos correios. Tostes disse o endereço deve estar errado e que vai tirar as dúvidas durante o encontro que está sendo negociado.

 

Segundo Goldman, as visitas monitoradas que ocorreram em junho foram tensas para o filho. E questionou se teria sido mesmo o menino que desenhou um cartaz, apresentado na véspera por Tostes, em que Sean manifestaria a vontade de ficar no Brasil. "Como você separa um filho de um pai por tanto tempo, você envenena a mente da criança? Existe prova disso. Não sou eu falando, são três psicólogas brasileiras, que fizeram avaliação profunda, de que todo dia meu filho está sofrendo danos psicológicos severos. É urgente que ele retorne pra casa, que a gente seja pai e filho. Eu não entendo: é longo, é cruel, é trágico, é triste. O meu filho está sofrendo e perdendo a sua inocência de criança. Ele não merece isso."

 

Goldman não informou por quanto tempo ficará no Rio. Ele chegou na quinta-feira, no dia seguinte à decisão do Tribunal Regional Federal que determinou a volta do menino para os Estados Unidos. A viagem foi financiada pela rede americana NBC. A embaixada americana divulgou nota, informando que o Departamento de Estado está "decepcionado" com o fato de que pai e filho ainda não estejam juntos. O texto ressalta o desgaste psicológico que o afastamento provoca na criança.

 

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