Família de vítima de queda de teto quer R$ 1 mi de indenização

Mãe de jovem morta dentro do templo foi à Justiça por reparação de dano moral e material

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

Elaine Lacerda do Nascimento Uchoa de Britto, de 33 anos, mãe da adolescente Gabriela Lacerda do Nascimento Uchoa Britto, 14, que morreu no desabamento do teto da Igreja Cristã Renascer em Cristo, entrou com uma ação na Justiça para pedir indenização no valor de R$ 1,370 milhão. A ação foi protocolada ontem no cartório do Fórum Central Cível João Mendes Júnior, no centro de São Paulo. O teto da igreja, localizada no bairro do Cambuci, no centro, desabou no dia 18 de janeiro, deixando nove pessoas mortas. A Assessoria de Imprensa da Renascer disse que tomou conhecimento da ação pela imprensa e que vai analisar o caso. A advogada de Elaine, Gleice Raquel Valente Mendoza, disse que tentou diversas vezes um acordo com a Igreja. "Desde que peguei o caso, tento um acordo, mas depois de quatro meses, não temos nada de concreto." O valor compreende R$ 1,2 milhão por danos morais. O restante refere-se a danos materiais como a pensão alimentícia,acompanhamento psicológico para ela e o filho, e uma pessoa para ficar com o filho enquanto Elaine trabalha, o que era feito pela adolescente.Naquele domingo, era a primeira vez que Elaine, os filhos Gabriela e Felipe, de 11 anos, e a amiga Dalva Ferreira de Oliveira, de 70 anos, iam à Renascer. "No intervalo dos cultos, fui ao banheiro, mas meus filhos quiseram ficar no salão", conta Elaine. A amiga Dalva também morreu na tragédia. Por conta do desabamento do teto, a bolsa de Elaine com chaves e documentos ficou embaixo dos escombros. Depois que soube da morte da filha, ela pediu aos representantes da Igreja para arrumar um chaveiro, ir até sua casa e pegar algumas roupas para enterrar a filha. O pedido foi negado e um dos pastores teria dito que a garota poderia usar as roupas doadas, que estavam ali. A Igreja também queria enterrar as nove vítimas com caixões doados pela Prefeitura e em um cemitério público de Diadema, na Grande São Paulo. A família não concordou por ser muito longe de onde moravam, na Casa Verde, na zona norte. Depois do enterro da garota, representantes da Igreja procuraram a advogada, oferecendo cestas básicas e tratamento psicológico, desde que com a psicóloga da Igreja. "Vi na TV que os fiéis disseram que uma parte do teto havia caído naquela semana. A Igreja foi irresponsável porque colocou muitas vidas em risco", diz Elaine. "Minha filha tinha toda a vida pela frente. Todos os nossos sonhos foram destruídos. Meu filho que estava ao lado da irmã não come, não fala e não sorri mais."

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