Família de vítimas de acidente da Gol abre processo nos EUA

A família de duas das 154 vítimas da queda do vôo 1907 da Gol após uma colisão aérea com um jato executivo modelo Legacy, no dia 29 de setembro, anunciou neste domingo que processará nos Estados Unidos as empresas Boeing, fabricante do avião da Gol; Honeywell, fabricante do sistema de alarme anticolisão (transponder) das aeronaves envolvidas; e a ExcelAire Service Inc., proprietária do jato Legacy, fabricado pela Embraer. Os advogados americanos Manuel von Ribbeck e Mike Eidson, informaram que irão entrar com o processo já nesta segunda-feira. Eles representam Suelen de Abreu Lleras, de 22 anos, mulher de Mario André Leite Lleras, de 25 anos, e Daniel de Abreu Lleras, de 5 anos, mortos no acidente. Ribbeck, que falou ao Portal Estadão.com.br por telefone de Manaus, explicou que ainda não é possível falar em um valor para a indenização, mas afirmou tratar-se de uma "quantia substancial de dinheiro". Segundo ele, essa decisão caberá ao juiz, que determinará o pagamento de acordo com o perfil de cada uma das vítimas. Idade, expectativa de vida antes da morte e o número de dependentes deixado pelos passageiros são alguns dos fatores que pesarão na decisão. Como exemplo, Ribbeck citou um caso semelhante ocorrido na Argentina em que as famílias de 60 passageiros dividiram uma indenização de US$ 400 milhões nos Estados Unidos. "Para a Justiça americana, a vida humana não tem preço", disse Ribbeck, que garantiu que as chances de vitória são de "100%". "Os passageiros não fizeram nada de errado, então cabe às empresas se responsabilizarem pelo ocorrido", afirma o advogado, que diz que também irá representar as famílias de outras 20 vítimas.De acordo com Suelen Lleras, que vive em Manaus, as outras famílias de moradores da cidade que perderam parentes no acidente ainda não decidiram se entrarão na Justiça com uma ação coletiva. "Por enquanto, cada um vai entrar com processos individuais", afirmou.ProcedimentosQuestionado se não seria precipitada a abertura de uma ação com as investigações ainda em andamento, Ribbeck explicou que, para a justiça americana, a simples existência de indícios que possam comprometer as empresas envolvidas já garante a abertura do processo. Com a ação, os advogados querem inicialmente garantir o acesso a informações cruciais para a investigação, como dados sobre a fabricação do transponder e os relatórios de treinamento dos pilotos. A partir daí, eles poderão conduzir uma investigação própria para apurar a culpabilidade de cada uma das empresas. Para tanto, Ribbeck e Eidson contarão com a assessoria do perito canadense, Max Vermij, especializado em acidentes aéreos, que conduzirá as investigações em nome dos advogados. Vermij está em Manaus e nesta semana estará em São Paulo.Os advogados não descartam processar a Embraer e o governo brasileiro. A empresa por supostamente ter utilizado um equipamento falho (o transponder, caso as investigações apontem neste sentido). Já o governo será acionado caso falhas no controle aéreo sejam constatadas. "Um acidente aéreo é resultado de uma combinação de muitos erros. Caso haja erros no Brasil, contataremos os melhores escritórios de advocacia do País para acionar os responsáveis".Colaborou Juliana Fernandes

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