Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Família divulga morte de ativista que liderou denúncias contra João de Deus

Consulado Brasileiro em Barcelona, Itamaraty e polícia local da cidade não confirmam oficialmente a morte de Sabrina; ela teria deixado suposta carta de despedida nas redes sociais, que depois foi apagada

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2019 | 12h28
Atualizado 04 Fevereiro 2019 | 15h30

A família de Sabrina Bittencourt, que coletou denúncias contra o médium João de Deus e criou o movimento Combate ao Abuso no Meio Espiritual (Coame), divulgou neste domingo, 3, que a ativista morreu no sábado, por volta das 21 horas. Um dos grupos de combate a abusos aos quais ela estava ligada afirmou tratar-se de suicídio. Inicialmente, família e grupos falavam em morte na Espanha; à noite, divulgou-se que seria no Líbano. O Estado buscou autoridades durante todo o dia, mas o caso continuava sem confirmação oficial até as 23 horas.

A morte foi confirmada pelo filho Gabriel Baum e por Maria do Carmo Santos, presidente do grupo Vítimas Unidas, criado por mulheres abusadas pelo ex-médico Roger Abdelmassih, com quem Sabrina lutava para coletar provas e reunir vítimas para denunciar crimes sexuais. Procurado, o Consulado em Barcelona informou à tarde, porém, que a polícia não havia reportado nenhum caso ao órgão, como é de praxe.

A polícia de Barcelona, acionada pelo Estado, disse que não tinha informações sobre o óbito de uma brasileira na cidade neste sábado. Procurado para confirmar a morte, o Itamaraty informou que não havia recebido a informação sobre a morte da brasileira. E informou também que o órgão estava sem sistema, sendo preciso aguardar hoje para a realização de consultas detalhadas.

O filho Gabriel Baum confirmou a morte da mãe em uma rede social ontem. “Ela não queria ser morta pelas quadrilhas nem pelo câncer. Minha mãe lutou até o final. Ela não desistiu. Ela só se libertou do inferno que estava vivendo”, disse. 

Em nota, assinada pela presidente do Vítimas Unidas, Maria do Carmo, e divulgada às 11h30 deste domingo, o grupo diz que “a ativista cometeu suicídio e deixou uma carta de despedida relatando os porquês de tirar a própria vida” na Espanha. “Pedimos a todos que não tentem entrar em contato com nenhum integrante da família, preservando-os de perguntas que sejam dolorosas neste momento tão difícil. Dois dos três filhos de Sabrina ainda não sabem do ocorrido e o pai, Rafael Velasco, está tentando protegê-los. Ainda não temos informações sobre o local do velório nem onde ela será enterrada.” O texto completa que “a luta de Sabrina jamais será esquecida e continuaremos, com a mesma garra, defendendo as minorias, principalmente as mulheres que são vítimas diárias do machismo”.

À noite, porém, Baum voltou às redes sociais e disse que a mãe havia deixado Barcelona e ido para o Líbano, onde morreu. Sua intenção era ser enterrada debaixo de uma oliveira. Ele também disse que Rafael está medicado, pediu respeito às pessoas que procuravam mais informações sobre a morte e destacou que o último desejo de Sabrina seria criar uma rede cidadã online contra abusos. 

João de Deus. No início da tarde de sábado, a reportagem falou por WhatsApp com a ativista. “Estou tratando um linfoma e não vejo meus filhos para poder ajudar todo mundo.” Na conversa, que era sobre as acusações que vinha fazendo, disse ainda que estaria sendo perseguida, sem dar detalhes.

Sabrina esteve envolvida na coleta de denúncias de vítimas de João Teixeira de Faria, acusado de abusos sexuais e preso desde dezembro. Na manhã do sábado, ela chegou a se manifestar sobre a prisão do filho do médium, Sandro Teixeira de Faria. A Justiça recebeu denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO) contra ele por coação no curso do processo e corrupção ativa – e determinou sua prisão. “Confirmo que Sandro Teixeira tem ameaçado nossas testemunhas, coagido, entrado na casa das pessoas... Estamos protegendo várias destas vítimas e testemunhas”, disse ela.

Sabrina disse ter recebido ao menos 185 denúncias contra 13 líderes espirituais brasileiros desde setembro – após relatos de supostos abusos cometidos pelo guru Sri Prem Baba.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.