Família do menino João Hélio pede mudança na legislação

Vítima de um crime que chocou o País, a família de João Hélio Fernandes, de 6 anos, que ficou preso ao cinto de segurança e foi arrastado por sete quilômetros pelos assaltantes, deflagrou uma cruzada pela fixação de penas mais severas a menores criminosos. Em entrevista que foi ao ar neste domingo no Fantástico, da TV Globo, a mãe do menino, Rosa Cristina Fernandes, defendeu a criação de uma legislação específica para Estados mais violentos, como o Rio. A irmã de João, Aline, de 14 anos, pede em carta à população brasileira a adesão ao abaixo-assinado pela redução da maioridade penal. Rosa lembrou do momento em que o crime aconteceu. Ela conta que voltava para casa na mesma via que estava acostumada diariamente. Segundo ela, no sinal já havia um ou dois carros parados à sua frente. Foi quando dois homens correram em direção a seu carro e a abordaram. Rosa pediu calma aos bandidos, pois João ainda estava preso pelo cinto, e entregou tudo o que tinha, pois já havia sido assaltada e não queria correr riscos. A descrição da mãe de João é chocante: "Aí ele: ´Vai logo, sua vagabunda´. Bateu a porta, entrou no carro e arrancou", afirmou Rosa. Ela lembra que a porta traseira ainda estava aberta enquanto ela tentava retirar o seu filho. "Nessa hora em que ele me xingou, ele me empurrou bateu a porta. Eu ainda tentei levantar o cinto, não consegui porque ele arrancou". Quando a mãe de João começou a correr atrás do carro, ela lembra que só pensava numa coisa. "Eu sabia que era uma situação difícil. Comecei a rezar, rezar por um milagre." Ela tentou se controlar durante toda a entrevista, mas a tristeza e o inconformismo eram patentes. "Não pode. Tem que acabar, tem que acabar. Tem que mudar a legislação. O Rio de Janeiro é um caso específico. Os Estados mais violentos têm de ter legislação específica. Se os menores de 18 anos cometem crimes bárbaros, eles têm, sim, de ser punidos. Não pode só ficar três anos, para daqui a três anos matar outro João. Eles não têm coração, não tem, não tem", disse emocionada Rosa Cristina. Durante a entrevista, concedida à jornalista Fátima Bernardes, foi lido um trecho da carta de Aline, irmã de João, na qual ela pede consciência aos políticos. "Tenho 14 anos e estou péssima. Minha família está sem chão, o Rio emocionado e o Brasil revoltado", afirma ela. Ainda na carta, ela acrescenta que "o Brasil está em fúria, pena de morte não resolve. Eu desejo Justiça rigorosa e, para os políticos, eu peço consciência que é hora de mudar". Aline também agradece "de todo o coração" ao pai de Diego, um dos envolvidos no crime, que denunciou o próprio filho. O pai de João, Elson Lopes Vieites, diz esperar que a morte de seu filho não fique em vão. E espera que "tudo o que vêm acontecendo ser visse para marcar uma fase de mudança no nosso País. Acho que realmente se houver essa mudança e se fosse marcada essa paz , porque coisas como essa não podem mais voltar a acontecer. As pessoas não podem sofrer como a gente está sofrendo". Elson também contou que ainda é difícil dormir de noite e retornar à sua casa, que estava sendo reformada justamente para as crianças poderem ter mais espaço para brincar. A família está sendo acolhida pelo cunhado de Rosa.

Agencia Estado,

11 Fevereiro 2007 | 20h48

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