Família francesa vai à Justiça

Busca por indenizações pode tornar caso o mais caro da história das companhias envolvidas

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

12 de junho de 2009 | 00h00

As suspeitas de falha das sondas de velocidade instaladas no Airbus que caiu no Oceano Atlântico ampliaram os questionamentos sobre a eventual responsabilidade das companhias Air France, Airbus e Thales (fabricante dos pitots) no acidente. Ontem, em Paris, a discussão sobre as causas do desastre migraram do campo técnico para o jurídico, com o anúncio de que a família de um dos 72 passageiros franceses entrará na Justiça contra as empresas, se ficarem comprovadas as panes técnicas.A família garantiu o direito de acompanhar o progresso da investigação judicial. "Os familiares têm o sentimento de que nem toda a verdade é dita", justificou a advogada Sophie Bottai. "Há interesses econômicos e financeiros colossais no caso. E não são os nossos."As primeiras avaliações de especialistas em aviação civil indicam que o desastre aéreo, o maior da história da França, será também o mais caro para as companhias envolvidas. Guillaume de Saint-Marc, presidente de uma associação que vem auxiliando os parentes, diz que eles estão se organizando para reivindicar seus direitos.Segundo a agência de notícias Bloomberg, a indenização às famílias deve ser a maior desde 2001, quando o acidente com um avião da American Airlines em Nova York deixou 265 mortos. À época, o valor envolvido em indenizações chegou a US$ 600 milhões. A Air France evitou comentar os valores envolvidos, mas ressaltou que respeitará as disposições internacionais sobre o tema. "A Air France vai aplicar os regulamentos internacionais. Todos os procedimentos para determinar as pessoas que tenham direito estão em curso", informou.Mas a batalha jurídica promete ser longa. As indenizações poderão também ser limitadas em até US$ 136 mil. Brasil e França são signatários da Convenção de Varsóvia, de 1927, que criou um teto para indenizações de acidentes aéreos.

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