Família não quer encerrar o caso Toninho do PT

Parentes e amigos do prefeito de Campinas Antonio Costa Santos, o Toninho do PT, assassinado em 10 de setembro do ano passado, ameaçam protestar contra os resultados das investigações. Nesta segunda-feira, a polícia adiou a realização de uma espécie de reconstituição - sem acusados nem testemunhas- do crime que estava marcada para terça-feira à noite em Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, no local em que ele foi assassinado. A família não aceita a tese de crime banal e o encerramento do caso.Apesar disso, o delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, Luiz Fernando Teixeira Lopes, que preside o inquérito, deverá relatá-lo na próxima semana e encaminhá-lo à Justiça, denunciando Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, como um dos autores do assassinato. Os outros três acusados, Anderson José Bastos, o Anso, Valmir Conte, o Valmirzinho, e Valdecir Souza Moura, o Fiinho, morreram em confrontos com a polícia.Lopes disse que pretende concluir o inquérito mesmo que a reconstituição não ocorra. "Não é imprescindível. Se não tivermos condições, não faremos", disse. Ele acrescentou que a reprodução do assassinato poderá ser feita no decorrer do processo judicial. O delegado afirmou que a acusação contra Andinho e sua quadrilha foi "totalmente" baseada em provas. "Estou com a consciência tranqüila".Para Lopes, a resistência da viúva é compreensível, mas ela acaba por "advogar a favor do Andinho" ao insistir que o marido foi vítima de um crime de mando. "É uma obsessão dela. Mas nosso trabalho foi cumprido", garantiu.O advogado criminalista que representa a família do prefeito e a Prefeitura, Ralph Tórtima Stettinger, concorda com a autoria apresentada pelo DHPP, mas discorda do encerramento do inquérito na próxima semana. Ele avisou que ainda faltam alguns laudos e provas periciais para fechar as investigações. "Não dá para tomar a iniciativa de encerrar antes que tudo seja concluído", disse.O advogado afirmou que alguns laudos poderão dar um respaldo maior à acusação contra Andinho e sua quadrilha. "É improvável que mudem a autoria, mas poderão contribuir para defini-la", disse. "Roseana ainda está bastante tocada com a dor da perda e a angústia do tempo. Para ela, a versão de crime banal é arrasadora", disse o advogado.

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