Família não sabia que vítima frequentava templo

Era a 2.ª vez que a carioca Ana Lúcia, de 39 anos, comparecia a um culto da Renascer; outras duas mulheres foram enterradas, em São Paulo

Clarissa Thomé, RIO; Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2009 | 00h00

Três vítimas fatais do desabamento do teto da Igreja Renascer foram enterradas ontem. A vendedora Ana Lúcia Menezes, de 39 anos, era carioca e foi sepultada no Rio. As outras vítimas, as aposentadas Maria de Lurdes da Silva, de 78 anos, e Maria Luiza da Silva, de 62, foram enterradas no cemitério São Pedro, na Vila Alpina, zona leste de São Paulo. Além de parentes e amigos, membros da Igreja compareceram aos enterros, cujos custos foram pagos pela Renascer.Nove mulheres com idade entre 14 e 79 anos morreram na queda do teto. Seis vítimas foram enterradas anteontem. Cinco "bispos" e dez pastores da Renascer estavam entre as cerca de 40 pessoas que acompanharam o enterro de Ana Lúcia no Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, zona norte do Rio. A família, católica, não havia dado por falta dela e somente ontem os pais e o filho souberam que Ana Lúcia era uma das vítimas.A imprensa não pôde acompanhar o enterro de Ana Lúcia. Funcionários do cemitério, que é cercado por favelas, avisaram que traficantes não permitem a presença de fotógrafos na parte mais alta. Os criminosos acompanharam a movimentação de repórteres de uma laje.O estudante de Letras Thiago Menezes, de 20 anos, que passa as férias no Rio com os avós, contou que a mãe tinha mudado para São Paulo havia cerca de dez anos. Segundo o rapaz, ela frequentava a Igreja Universal e, no dia do desabamento, tinha ido pela segunda vez ao templo da Renascer. "Quando vimos a reportagem sobre o acidente, minha avó chegou a comentar: ?Ai, meu Deus, minha filha perdida em São Paulo?. Mas eu a tranquilizei: ?Relaxa, vó. Ela não frequenta lá?. Não podíamos imaginar." A Renascer arcou com todas as despesas - as passagens para a irmã e o cunhado de Ana Lúcia fazerem o reconhecimento do corpo, traslado e enterro. O "bispo" Christian Paz disse que outras questões, como indenização, devem ser tratadas diretamente em São Paulo. "Essas informações são centralizadas em São Paulo. Viemos aqui fazer a parte eclesiástica."Maria de Lurdes da Silva foi enterrada às 10 horas. Três dos oito filhos dela estavam tão abalados que não foram ao funeral. Vera da Silva, filha da vítima, disse que entrará com processo na Justiça se ficar provado que o acidente não foi uma fatalidade. Após o enterro de Lurdes, foi a vez de o corpo de Maria Luiza da Silva, de 62 anos, ser sepultado. Os parentes não quiseram dar entrevista. FERIDOSAté a noite de ontem, cinco vítimas do desabamento estavam em estado grave e outras 13 permaneciam internadas. A situação mais delicada é a de Fabio Jonas de Oliveira, de 27 anos, que teve politraumatismo e afundamento do crânio. Ele está em coma na UTI do Hospital das Clínicas. O estado de saúde de Stefanie Batanovi de Sá, de 9 anos, que era gravíssimo, melhorou ontem. Ela já respira sem auxílio de aparelhos. A menina sofreu afundamento de crânio e continua na UTI do Hospital São Paulo. COLABOROU FELIPE GRANDIN

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.