Família Naya quer acelerar indenização de vítimas do Palace 2

Irmãos do ex-duputado cogitam abrir mão da herança para que isso aconteça, segundo o advogado de Sérgio

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2009 | 16h33

Os seis irmãos do ex-deputado Sérgio Naya, morto no mês passado, cogitam abrir mão da herança a que têm direito, a fim de apressar o pagamento de indenizações às vítimas do Palace 2, edifício que desabou no carnaval de 1998, matando oito pessoas. A informação é do advogado de Naya, Wilson Miranda, que, no entanto, ainda não tem a procuração dos parentes do empresário para tocar o inventário.   Veja também: Corpo de Sérgio Naya passa por segunda autópsia na Bahia Corpo de Sérgio Naya foi retirado ilegalmente, diz delegada Naya morreu a 2 dias dos 11 anos da queda do Palace 2   "Eles estão dispostos a abrir mão desses bens, mas ainda estão reunindo documentos e estudando a melhor maneira de fazer isso. O que é importante ficar claro é que eles pretendem honrar os compromissos deixados pelo irmão", disse Miranda. "Com a colaboração deles (das vítimas), se não criarem resistência e tiverem bom senso, vamos resolver o problema".   As declarações do advogado foram recebidas com desconfiança pelas vítimas do Palace 2. Para a presidente da associação que reúne ex-moradores do edifício, Rauliete Barbosa Guedes, a intenção da família de abrir mão da herança pode ser uma manobra para esconder os bens de Naya.   "Parece que querem nos dar um cala-boca. Há terrenos, imóveis e outros bens de Naya nas mãos de laranjas, que poderiam ser divididos informalmente entre eles se não tiver um inventário. Queremos a abertura do inventário e que todos os bens apareçam", afirmou Rauliete.   As vítimas e os herdeiros também divergem em relação ao valor que deve ser pago. Miranda fala em R$ 10 milhões. Rauliete, em R$ 60 milhões. "No decorrer de quatro anos, Naya pagou R$ 60 milhões em indenizações, o que corresponde a mais de 70% do que eles tinham para receber. Mais R$ 10 milhões liquida esse negócio".   Rauliete diz que 12 famílias nada receberam até agora - as 108 restantes foram indenizadas em cerca de 40% do valor total. "Sabemos que Naya havia passado imóveis para laranjas, que deixaram procurações com ele para que pudesse negociar os bens. Essas procurações não valem mais nada, com a morte de Naya".   O advogado das vítimas, Eduardo Lutz, lembrou que os irmãos de Naya tem mais 40 dias para abrir o inventário. "Se eles não fizerem isso, a associação faz e a Justiça vai determinar um inventariante judicial para administrar os bens", disse Lutz.

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