Márcio Fernandes/Estadão
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Família passa dias reclusa em casarão no centro histórico de Mariana

Dona Orides só fala bastante quando lembra o dia da tragédia e conta como foi levada pelos filhos para o alto e viu a lama cobrir o vilarejo

Bruno Ribeiro e Márcio Fernandes, Enviados especiais

31 Outubro 2016 | 03h00

MARIANA - A sala escura fica cheia de gente à tarde. Todos sentados, diante da TV. Os familiares da aposentada Orides da Paixão de Souza, de 84 anos, uma das mais velhas sobreviventes de Bento Rodrigues, não costumam sair do casarão onde foram alocados, distante poucos metros da Catedral da Sé de Mariana, no centro histórico da cidade.

“A gente fica aqui vendo TV”, conta a idosa. “Vamos vivendo.” Onze pessoas moram na casa, com sala e quatro quartos, além de um quintal onde seus três netos brincam quando não estão na escola. “Num dia desses, com esse calor, a gente estaria no lago (em Bento Rodrigues). Aqui, a gente fica dentro de casa”, diz um dos netos.

Dona Orides só fala bastante quando lembra o dia da tragédia. Conta como foi levada pelos filhos para o alto e viu a lama cobrir o vilarejo. 

A idosa evita críticas à Samarco. Afirma que a ajuda prometida pela empresa chega em dia. E só responde “não” ao ser questionada se acompanha o andamento dos processos na Justiça. “Eles ainda não pagaram indenização, mas vão pagar”, diz. Ela está ansiosa pelas obras do novo Bento - terá 87 anos quando o serviço terminar. 

O promotor de Direitos Humanos de Mariana, Guilherme Meneghin, afirma que um terço das vítimas acompanha os processos a distância. “Tem gente que nem sabe que o cartão com auxílio mensal e o adiantamento das indenizações foram dados por causa das ações judiciais. Eles pensam que a Samarco está fazendo isso por iniciativa própria.”

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