Família prepara recepção para brasileira que fugiu do Líbano

Nariman é acusada pelo marido de abandono de lar e ela o acusa de agressão; chegada está prevista para 5ª

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2008 | 15h58

A família da paranaense Nariman Osman Chiah, de 21 anos, que conseguiu fugir do Líbano, onde era acusada pelo marido de seqüestro e abandono do lar, prepara uma grande festa para recepcioná-la na tarde de quinta-feira, 11, quando chegar ao Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. De lá seguirão para Matinhos, no litoral do Paraná, onde a família mora. Nariman, que está grávida de cinco meses, acusa o marido, o libanês Ahmed Holeihel, de agredi-la e a seu filho, de 6 anos. Eles se casaram no Líbano, quando ela tinha 14 anos, e vieram ao Brasil para o parto do filho, mas acabaram ficando.   Veja também: Brasileira diz correr risco de morte; ouça entrevista  Hezbollah impede brasileira de deixar o Líbano Juiz federal decreta prisão de marido de brasileira no Líbano   Para a família o drama começou aqui, pois não queria que ela viajasse com Holeihel no começo do ano. Eles tinham reatado o casamento, depois de um ano e meio de separação. "Ele fez a cabeça dela e foram embora", disse o irmão de Nariman, Ahmed Osman Chiah.   Como Holeihel teria começado a agredi-la, Nariman tentou uma primeira fuga, indo para a casa de uma irmã, mas acabou retornando. Em 21 de julho, quando tentava embarcar no aeroporto de Beirute foi impedida de fazê-lo, em razão de uma acusação de seqüestro e abandono do lar.   Para não precisar voltar para casa, ela passou a viver com o filho em um refúgio destinado a mulheres e crianças vítimas de violência, ao mesmo tempo em que traçava um plano de fuga. Ele se consolidou há cerca de duas semanas, quando os familiares no Brasil enviaram US$ 1,7 mil (cerca de R$ 3 mil) para que contratasse dois homens que providenciariam documentação e ajudariam a cruzar as fronteiras da Síria e da Turquia, de onde embarcariam para o Brasil. "Mas, para economizar, eles não carimbaram o passaporte e ela entrou como clandestina na Síria", afirmou o irmão de Nariman.   Depois de serem ameaçados de prisão, mãe e filho conseguiram contato com a Embaixada brasileira em Damasco, na Síria, onde ficaram refugiadas desde domingo, enquanto a documentação era providenciada. "Temos que agradecer ao Itamaraty e ao embaixador na Síria", disse Chiah.   Segundo ele, seu ex-cunhado telefonou na terça-feira pedindo que Nariman voltasse para Baalbek, onde vive, que ele alugaria outra casa e poderiam refazer a vida. A família disse que ela já estaria no Brasil. "Ele disse, então, que tinha duas mulheres que o queriam como marido e pediu para que não mais ligassem para ele", acentuou Chiah.   Ele ressaltou que os familiares não temem que Holeihel venha procurá-la no Brasil, porque no período em que os dois estiveram separados ele foi autuado por contrabando de CDs e DVDs. "A gente não sabia de nada disso até que ligaram em casa, depois que ele já estava no Líbano", disse Chiah. Como o libanês não compareceu a uma audiência em agosto teve a prisão preventiva decretada.

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