Prefeitura de Brumadinho
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Família que morreu soterrada em MG visitava parentes em luto

Deisy Alexandrino, que morreu com os filhos e marido, havia perdido a irmã recentemente; vítimas estavam de férias

Marina Rigueira, especial para o Estadão

11 de janeiro de 2022 | 20h34

BELO HORIZONTE - A família que perdeu a vida em um soterramento na BR-040, nas proximidades da Serra da Moeda, Região Metropolitana de Belo Horizonte, será sepultada na manhã desta quarta-feira na cidade de Paula Cândido, Região da Zona da Mata, Minas Gerais. O velório e o sepultamento serão no Ginásio Poliesportivo da cidade. No fim da tarde de hoje, o Instituto Médico Legal (IML) liberou os corpos do advogado, Henrique Alexandrino dos Santos, 41 anos, da professora universitária, Deisy Lúcia Cardoso Alexandrino Santos, 40, e dos filhos Vitor Cardoso Alexandrino Santos, de apenas 6 anos, e da pequena Ana Alexandrino Santos, 3 anos, que passaram as celebrações de final de ano com a família em Paula Cândido, cidade natal do casal.

Os quatro integrantes da família tiveram a vida interrompida por um soterramento causado pelos deslizamentos de encosta na rodovia, devido às fortes chuvas que atingem o Estado de Minas Gerais desde o início do ano. Além deles, também faleceu o primo Geovane Vieira Ferreira, 42 anos, morador de Paula Cândido, que conduzia o veículo, levando-os para o aeroporto.

O Estadão conversou com o sobrinho de Deisy, Lucas Garcia Cardoso, 28 anos, que abalado e ainda sem acreditar na tragédia, contou que era costume recebê-los em Minas, todo final de ano. “Eles sempre vieram para essas datas: Natal e réveillon. Ficaram um mês aqui com a gente de férias. Meus tios eram muito divertidos e as crianças muito amorosas. Ainda estamos incrédulos com a tragédia”, lamentou. Lucas Cardoso contou ainda que a irmã de Deisy havia falecido no mês passado, e que, portanto, a avó perdeu duas filhas em um curto período.

No sábado, ao sair da cidade de Paula Cândido com destino ao Aeroporto de Confins, onde o casal e as crianças pegariam um voo para retornar para Aquidauana, Mato Grosso do Sul, cidade natal dos filhos e onde a família, ainda não sabiam do deslizamento e interdição na estrada. “Quando era umas 13h30, eles ligaram para dizer que estava tudo bem, mas que precisariam pegar um desvio na estrada para conseguir seguir viagem até o aeroporto. Depois disso, tentamos falar com todos, diversas vezes por mensagem e ligação, mas sem conseguir nenhum outro contato”, relembra.

A família ficou desaparecida por um dia e meio, e sob muita angústia, o sobrinho de Deisy, Lucas Cardoso, contou emocionado que eles ainda tinham esperança de que não houvesse ocorrido um acidente, mas que estivessem ilhados ou mesmo abrigados em algum local, sem cobertura de sinal, à espera de ajuda. “Inclusive, espalhamos cartazes pela cidade e fizemos postagens nas redes sociais informando sobre o desaparecimento, aguardando possíveis informações sobre o paradeiro deles”, explica.

O secretário de saúde do estado de Goiás, Ismael Alexandrino, primo de primeiro grau de Henrique Alexandrino, nas palavras de sua assessoria, “está reservado nesse momento de muita dor”. De acordo com o assessor do secretário, Ismael era bem próximo e tinha muitos momentos de convívio com o primo falecido no acidente.

Em seu perfil na rede social Instagram, o secretário de saúde de Goiás, anunciou o desaparecimento dos familiares e lamentou a perda: “Amigos, obrigado por todos que divulgaram minha postagem de hoje mais cedo no story. Meu primo primeiro e família (5 integrantes) que estavam desaparecidos há 2 dias foram localizados. O carro foi encontrado soterrado na região de Itabirito-MG/Brumadinho-MG, e os integrantes sem vida. RIP: Henrique Alexandrino dos Santos (41 anos), Deisy Alexandrino (40 anos), Vitor Alexandrino (6 anos), Ana Alexandrino (3 anos), Geovane Vieira (42 anos). Que DEUS, na sua infinita bondade conforte nossa família e os receba”.

De acordo com o balanço das chuvas em Minas Gerais, divulgado pelo Inmet, “contabilizando as chuvas deste último fim de semana, o total acumulado nos primeiros 10 dias de janeiro, ultrapassaram 400,0 mm em algumas localidades mineiras”. A partir dessa terça-feira, dia 11, embora persistam condições para ocorrência de chuva na grande área de estado crítico, incluindo a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a tendência é de redução no volume de chuva. E, a partir de quinta-feira, as chuvas reduzem consideravelmente em todo o Estado.

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