Família quer parar processo no Tribunal de Justiça

Advogado diz correr contra o tempo para evitar que Schoedl escape do Tribunal do Júri

Camilla Rigi e Chico Siqueira, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2004 | 00h00

O advogado das famílias das vítimas do promotor Thales Ferri Schoedl, Pedro Lazarini, deve entrar ainda hoje com pedido de suspensão do processo criminal que corre no Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo Lazarini, mesmo com a determinação de afastamento do promotor pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em caráter liminar, se Schoedl fosse julgado amanhã ainda teria foro privilegiado. ''''A nossa corrida é contra o tempo. Apesar de não ter enviado o pedido ao CNMP formalmente, na quinta-feira da semana passada, quando ainda estávamos transtornados, já tinha adiantado por telefone que pediria a anulação da decisão do MP para o corregedor-geral da Comissão'''', explicou o advogado. Na quarta-feira o Órgão Especial do MP de São Paulo efetivou Schoedl no cargo de promotor, o que o livraria do tribunal do júri. ''''É uma luzinha no fim do túnel. A nossa esperança agora é que ele realmente vá a júri popular e seja condenado'''', disse Sônia Mendes Modanez, mãe de Diego Modanez. Ela ainda vê com cautela a decisão do CNMP. ''''Está um pouquinho melhor, digo um pouquinho por minha experiência de tudo que passamos. Foram tantas mudanças de decisões'''', desabafou. Ontem, Sonia foi a Jales, no interior de São Paulo, onde morou por seis meses com a família e para onde o promotor havia sido designado para atuar a partir de sexta-feira passada, antes de pedir férias. ''''Fui agradecer o apoio da cidade.'''' Em São Paulo, o dia foi de comemoração. Felipe Siqueira, que foi baleado por Schoedl na mesma data, disse que agora pelo menos há um fio de esperança de que se faça Justiça. ''''Foi uma surpresa muito boa. Hoje (ontem) nosso almoço foi brindado com muita felicidade e muita esperança.'''' Na semana passada, após a efetivação do promotor no cargo, Siqueira chegou a passar o dia todo em casa. ''''Foi cruel. Meu amigos vieram me visitar, mas só na sexta-feira conseguiram me tirar um pouco de casa'''', contou o jovem, que espera a expulsão de Schoedl do cargo. Para o advogado das vítimas, a decisão do CNMP foi acertada. ''''Quero deixar claro que nossa representação não é contra o Ministério Público, mas contra a decisão do Órgão Especial específica'''', esclareceu. ''''É a primeira vez que vejo uma intervenção branca no MP. Acredito que isso não vai desmoralizar a instituição, mas fortalecê-la, porque a decisão ficará longe das brigas políticas internas do órgão.'''' Ele ressaltou que a decisão do conselho não foi pelo clamor público, mas pela indignação ao ver um ato errado.

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