Família sabia que empresária torturava menina de 12 anos

Segundo delegada de Goiânia, maus-tratos foram omitidos por parentes de Silvia Calabresi Lima

Rubens Santos, de O Estado de S. Paulo,

23 de março de 2008 | 18h14

A família da empresária Silvia Calabresi Lima, presa na última semana por manter uma menina de 12 anos em cativeiro durante dois anos, sabia o que acontecia no apartamento. A informação é da delegada-titular de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Goiânia (GO), Adriana Accorsi, que pretende encerrar o inquérito policial, na quarta-feira, com o indiciamento de pelo menos quatro pessoas, no caso descoberto dia 17. "É curioso como temos famílias tão estranhas em nosso meio social", disse a delegada, em entrevista ao Estado. "Agora dizem que ela (Sílvia) é louca. Se fosse louca, também maltrataria os três filhos dela e isso não aconteceu", defendeu. O advogado da empresária, Darlan Alves Ferreira disse que pedirá laudo psicológico da empresária de 42 anos de idade. Adriana acredita na tese da omissão em caso de tortura, crime punido com quatro anos de prisão, pelo volume de provas que colheu: depoimentos de vizinhos, de outras quatro vítimas da empresária, e do marido, além de laudos periciais e de corpo delito e apreensão de objetos empregados na tortura.  A delegada revelou que os maus-tratos não eram segredo, mas que a história ficou em família: "O pai, o engenheiro Marco Antonio, sabia do trabalho doméstico de todas as meninas", revelou a delegada. "Tanto sabia que foi ele quem nos revelou que a menina A, de 10 anos que morava em Adelândia, viveu na casa deles há seis anos". Próximos Passos A partir desta segunda-feira, a delegada vai receber o resultado do exame de corpo delito do Instituto Médico Legal (IML), mais o laudo psicológico, levantado por uma equipe da DPCA. Também ouvirá Tiago, o filho mais velho da empresária, e a mãe adotiva dela, Maria de Lourdes, de 82 anos de idade. "A Silvia e o marido dela, o engenheiro Marco Antonio, não darão mais entrevistas, uma vez que foi decidido que só falarão em juízo", disse neste domingo o advogado criminalista do casal, Alves Ferreira. Também nesta segunda-feira está previsto o pronunciamento da Delegacia de Atendimento á Mulher (Deam), de Goiânia, que recebeu uma queixa da empresária dois dias antes da Policia estourar o cativeiro da menina LRS, de 12 anos. Segundo a DEAM, a empresária formulou uma denúncia de injúria e ameaça contra um ex-amante e empresário do ramo imobiliário. A terça-feira também será decisiva no processo. Parlamentares membros da Comissão de Direitos Humano e Minorias (CDHM), da Câmara dos Deputados, estarão na Delegacia para acompanhar o processo, que será encerrado na delegacia na quarta-feira e enviado para a Justiça de Goiás. Por fim, na quarta-feira, a procuradora do Trabalho, Janilda Collo, decidirá se envia ou não à Justiça várias ações contra a empresária Silvia Calbresi. Há, ainda, uma ação indenizatória por danos morais e materiais em nome da LRS e ação civil pública contra o casal por empregar trabalho escravo infantil. "Eles (o casal) devem servir de exemplo", acredita a procuradora.

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