Família vai processar organizadores do show do RBD

A família de Fernanda Silva Pessoa, de 13 anos, quer explicações dos organizadores da desastrada tarde de autógrafos com a banda mexicana RBD que terminou em tragédia no sábado - morreram Fernanda e outras 2 pessoas e 41 ficaram feridas. "Vou processar, foram irresponsáveis", disse neste Domingo Maria de Lourdes da Silva, de 45 anos, mãe da garota, referindo-se ao Grupo Pão de Açúcar e à gravadora EMI.O corpo de Fernanda foi enterrado à tarde no Cemitério Parque dos Girassóis, em Parelheiros, zona sul. Uma ambulância precisou ser chamada para atender parentes da menina. A irmã mais velha, Manuela, quase desmaiou. O mesmo ocorreu com outra irmã, Gabriela, grávida de 7 meses, e o padrasto, Demilton da Silva, recém-operado do coração.Maria de Lourdes não sabia que Fernanda havia ido ao estacionamento do Shopping Fiesta, em Interlagos, zona sul, ver o RBD. A menina passava a última semana de férias na casa de uma tia perto dali, no Grajaú, e decidiu ir ver os ídolos de perto, com uma prima, também adolescente. Na hora do almoço, a prima ligou para casa contando do tumulto no shopping. "A gente se perdeu", era o recado aflito da menina, que não sabia onde estava Fernanda."Pensei comigo: a Fernanda é mimada, chorona. Deve estar quietinha num canto, triste porque não conseguiu ver a banda. Melhor ir buscar", disse Maria de Lourdes. Ela pegou o RG da filha e correu para o shopping. Topou com correria, gente chorando, pais aflitos como ela. Mas não achou Fernanda. Um bombeiro lembrou da foto no RG e sugeriu que ela fosse ao Hospital Regional Sul. Lá, o choque não veio em forma de notícia. Maria de Lourdes teve de identificar o corpo da filha.O sentimento de desolação também marcou os enterros das outras duas vítimas, Cláudia Cristiane de Oliveira Souza, de 38 anos, sepultada no Cemitério Dom Bosco, em Perus, zona oeste, e Jenifer Chaves, de 11, no Cemitério Parque das Cerejeiras, Jardim Ângela. O secretário municipal da Habitação, Orlando Almeida, disse que os responsáveis pelo evento serão punidos de maneira "exemplar" caso não tenham feito o pedido de licença para a realização do show. A autorização deveria ter sido solicitada à subprefeitura da Capela do Socorro ou ao Departamento de Controle e Uso de Imóveis (Contru). A subprefeitura já disse que não foi procurada. Almeida acredita que o mesmo ocorreu em relação ao Contru. "Mas a informação está nos computadores dos técnicos e não posso afirmar ao certo se a licença foi pedida".O diretor de Comunicação do Pão de Açúcar, Paulo Pompílio, disse que ainda não havia checado os documentos entregues à Prefeitura. "Nossas atenções estão voltadas para as famílias das vítimas. Mas vamos prestar esclarecimentos." O Pão de Açúcar informou que pagou o enterro das vítimas e 3 dos 42 feridos continuam em observação, em clínicas particulares. Nenhum deles corre risco.

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