Familiares criticam Anac e Gol por falta de informações

Os familiares de passageiros do Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas, que caiu sexta-feira, 29, na selva amazônica com 155 pessoas a bordo, pediram uma audiência com o ministro da Defesa, Waldir Pires. Em nota, eles reclamaram que Pires não se manifestou nem ofereceu qualquer suporte às famílias. Os familiares afirmam que "o momento é de dor e sofrimento, mas não podemos deixar de pensar em resolver as questões práticas que envolveram um acidente dessa natureza". Eles informam ainda que se organizaram e criaram frentes de trabalho para "cobrar e exigir das autoridades uma posição mais clara e imediata da situação real do acidente", diz o texto.À tarde, no Aeroporto de Brasília, familiares das vítimas fizeram um protesto contra a falta de informações por parte dos órgãos governamentais envolvidos na operação de resgate e nas investigações sobre o acidente. "Se o presidente da República, ou qualquer um dos candidatos estivessem lá, já teriam tirado eles, e tudo já estaria resolvido", reclamou Neusa Machado, mulher de Waldomiro Henrique Machado, de 61 anos, um dos passageiros do vôo. Ana Camila, filha do passageiro desaparecido no vôo Bruno Maciel, de 49 anos, também protestava contra a resistência da companhia e das autoridades em fornecer informações sobre o ocorrido. Ela lembrou que, no dia do acidente, funcionários da companhia aérea chegaram a dizer que o avião havia pousado em Goiânia.Segundo uma Comissão de Familiares, as informações que têm sido fornecidas pela companhia aérea são muito esparsas e imprecisas. Até a noite deste domingo, a única informação que as famílias tinha era de uma equipe de militares estava na floresta, no local onde caiu o Boeing, mas não sabiam quantos corpos haviam sido encontrados, nem tinham maiores detalhes sobre o resgate. Os parentes reclamavam também de que, até agora, não foram informados se há ou não possibilidade de sobreviventes. "Só se ocorrer um milagre encontraremos um sobrevivente", disse a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu.Depois de uma reunião muita tensa, em que os familiares fizeram críticas às autoridades e pediram informações, Denise tentou acalmar os ânimos e prometeu que, daqui por diante, um assessor especial seria designado pela Anac para passar dois informes diários, um ao meio-dia e outros às 18 horas. Questionada sobre o estado dos corpos, Denise disse: "Eu fiz um raciocínio com eles (familiares): se uma aeronave a 11 mil metros de altitude colide com o solo, é difícil de encontrar algum corpo inteiro."Últimos contatosTrês famílias de vítimas do vôo 1907, da Gol, que residem na região de Ribeirão Preto, estão abaladas e aguardam as informações sobre os serviços de resgate. Os parentes evitam dar detalhes sobre as vidas particulares das vítimas e até como teriam sido os últimos contatos.Um parente de Ricardo Tarifa, de 44 anos, funcionário do Banco Mundial, especialista em florestas, com mestrado na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, disse que os pais e as irmãs, que residem em Ribeirão Preto, estão "tentando entender que é uma tragédia" o que aconteceu. Ele informou que talvez o último contato de Ricardo tenha sido com o pai, Orlando, de 75 anos, que recebeu um e-mail do filho na terça-feira (26), com texto e fotos curiosas sobre a viagem que estava fazendo ao Amazonas, inclusive numa comunidade indígena. Tarifa estava trabalhando e tinha o hábito de fotografar suas viagens. Ele nasceu em Tupã e, casado, mora em Brasília, sem filhos. "Estamos todos abalados", diz o parente dele, informando que a família está reunida com as pessoas mais próximas.Pedro Nardt, de 11 anos, filho do professor da Universidade de São Paulo (USP), de São Carlos, Francisco Carlos Nardt, de 48 anos, disse que a família - a irmã Laura, de 13 anos, e a mãe Tânia - aguardava notícias. O último contato do pai com a família ocorreu na quarta-feira, 27, por telefone. Ele viajou na terça-feira, 26, para participar de uma avaliação do programa de pós-graduação que fazia na Universidade Federal do Amazonas. Titular do Instituto de Química da USP, ele está na instituição desde 1987, chefiando ainda o Departamento de físico-química. (Colaborou Brás Henrique) Matéria atualizada às 21h18 para acréscimo de informações

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