Familiares das vítimas da Gol contestam número de acordos

Parentes desmentem número apresentado por presidente da empresa e exigem manutenção de planos de saúde

Leonardo Goy, do Estadão,

29 Setembro 2007 | 17h35

Um ano após o acidente com o vôo 1907 da Gol, os familiares das vítimas e a direção da companhia aérea ainda têm pendências a resolver. Antes da missa que lembrou o desastre, a representante das famílias ainda contestou o balanço divulgado pela empresa sobre as indenizações. A Gol anunciou que, das 154 famílias, 32 já fizeram acordos de indenização.   Veja também: Especial sobre a crise aérea Falha humana causou tragédia da Gol Após um ano, familiares voam sobre destroços   Pouco antes do início de um culto ecumênico organizado pela empresa aérea, que se realizou neste sábado, 29, no Jardim Botânico de Brasília, uma das líderes da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, Angelita de Marchi, criticou o governo pela demora na apuração das causas do acidente. "Após um ano notamos pouca movimentação do governo para esclarecer o acidente", disse.   Angelita acredita que "apenas entre 20 e 25 famílias" podem ter aceito algum tipo de acordo. Isso, segundo ela, porque a associação tem conhecimento de que 110 famílias estão recorrendo à justiça americana, cinco acionaram a justiça brasileira e outras 15 ainda não buscaram ajuda judicial. "Não reconhecemos esse número de 32 famílias", afirmou a representante da associação.   Constantino de Oliveira Júnior, presidente da Gol, argumentou que o número de acordos fechados até agora não é pouco. "Isso equivale a 80 pessoas", afirmou. Ele disse que a Gol está usando os mesmos critérios utilizados pela justiça em situações como essa para propor os acordos e que a empresa não pode forçar as famílias aceitá-los.   Segundo a empresa, os valores são estabelecidos a partir das expectativas de vida das vítimas e do rendimento que elas agregariam a suas famílias ao longo desse tempo.   Assistência médica   Outra polêmica entre familiares e a Gol está relacionada a uma reunião que será realizada neste fim de semana em um hotel de Brasília, convocada pela associação. Constantino declarou que não foi comunicado e Angelita afirmou ter enviado um convite à empresa na última sexta-feira pela manhã. O encontro tem o objetivo de discutir a situação dos planos de saúde.   Alguns parentes reclamam de dificuldades de diálogo com a direção da companhia aérea e querem que a Gol renove por mais um ano o plano de saúde oferecido após a tragédia aos familiares. Essa assistência, segundo as famílias, terminará neste domingo.   Angelita afirmou que a manutenção do plano de saúde é necessária para os familiares, já que alguns sofrem de problemas cardíacos e precisam de acompanhamento médico.   Constantino Júnior disse que as pessoas que tiverem comprovadamente a necessidade da assistência saúde terão os planos renovados. Mas, ressaltou, que a prioridade da empresa agora é concluir a negociação das indenizações. "Nossa busca não é pelo plano de saúde, mas repor as perdas materiais e garantir o conforto dos familiares", declarou o executivo.   Angelita, porém, afirmou "que é humilhante ter de provar que se está doente". Segundo ela, a manutenção dos planos por mais um ano é uma coisa básica.

Mais conteúdo sobre:
vôo 1907 gol

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.