Familiares das vítimas do acidente da Gol criticam recepção

Um dia depois do desembarque dos pilotos do jato Legacy Joseph Lepore e Jan Paladino, os familiares das vítimas do acidente com o Boeing da Gol, no dia 29 de setembro em Mato Grosso, criticaram a postura dos norte-americanos.Para o presidente da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, Jorge André Fernandes Cavalcante, a festa de recepção para os pilotos Joseph Lepore e Jan Paladino foi o "símbolo da impunidade da tragédia e da inconseqüência das instituições em liberá-los". Em sua opinião, os dois dificilmente voltarão ao Brasil e serão punidos com rigor.Segundo Cavalcante, a forma como os pilotos se comportaram, sorrindo e acenando como heróis, mostra como são "arrogantes". "Eles não tiveram um pingo de respeito em relação a toda essa situação. Nunca estiveram nem aí para as famílias, mesmo sabendo que foram inconseqüentes, imprudentes e irresponsáveis", desabafou."Fiquei revoltada, mas ainda não perdi as esperanças", completou Rosane Prates Amorin Gutjahr, que perdeu o marido no acidente. "Espero que o Ministério Público Federal enxergue a forma como tudo ocorreu e os denuncie por homicídio doloso." Se o MPF entender assim, as penas passam a ser maiores e devem ser cumpridas em regime fechado. Para Rosane, os pilotos agiram com dolo eventual, aquele em que se assume o risco de provocar uma tragédia.IndiciamentoNa sexta-feira, os pilotos foram indiciados pelo artigo 261, que pune quem expõe a perigo embarcação ou aeronave. Quando há morte, a pena aplicada a esse crime é a de homicídio culposo (de 1 a 3 anos) acrescida de um terço. Segundo a PF, eles agiram de forma culposa, portanto, não tinham a intenção de cometer o crime.Em seguida, os norte-americanos deixaram o prédio da PF em uma van, junto com membros do Consulado dos Estados Unidos, que seguiu para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, onde embarcaram para os Estados Unidos num jato fretado.

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