Ricardo Araújo/Estadão
Ricardo Araújo/Estadão

18 detentos feridos em rebelião são retirados de presídio no RN

Famílias aguardam informações e clima é de desespero do lado de fora da Penitenciária Estadual de Alcaçuz; rebelião durou mais de 14 horas

Ricardo Araújo, Especial para O Estado

15 Janeiro 2017 | 14h02

NATAL - Dezoito presos, com ferimentos leves e fraturas expostas, foram retirados da Penitenciária Estadual de Alcaçuz e do Pavilhão Rogério Coutinho Madruga, nos arredores de Natal, neste domingo, 15. Os homens foram encaminhados em ambulâncias do Samu para hospitais públicos de Natal e Parnamirim, na região metropolitana, com escolta policial. Eles se envolveram na rebelião que durou 14 horas e deixou parte do presídio destruído.

Para reforçar o atendimento nos hospitais, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP/RN) emitiu nota convocando todos os cirurgiões gerais que estavam de folga. O objetivo é que o socorro prestado aos feridos não prejudique o atendimento da população em geral. A contagem e identificação inicial das vítimas fatais da guerra entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Sindicato do RN começou no início da tarde. 

Mães, mulheres e filhos choram do lado de fora da maior penitenciária do Rio Grande do Norte enquanto aguardam notícias oficiais. A rebelião durou mais de 14 horas e foi controlada quando homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar, do Grupo de Operações Especiais dos Agentes Penitenciários e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram na unidade prisional. Os detentos recuaram e voltaram para a área interna dos pavilhões. A informação oficial é de que há pelo menos 10 mortos mas, segundo um agente penitenciário, o número já supera 20.

"Eu fui uma das últimas a sair da visita ontem (sábado). Era dia de visita nos pavilhões 1 e 4. Estava tudo tranquilo. Foi a gente sair, que começou isso. Não tenho notícia do meu marido. Ninguém passa informação e ninguém dos Direitos Humanos veio nos ajudar", relatou Natalia Melo, de 30 anos, mulher de um dos presos do Pavilhão 4. Antônio Neto, de 30 anos, cumpre pena por tráfico de drogas e homicídio. Apesar das trocas de mensagens e telefonemas com os presos, Natália Melo não sabe se o marido está vivo. 

A aflição das mulheres é ainda maior pois os homens do Batalhão de Choque e do Bope entraram na unidade para retomar o controle da rebelião. Elas temem que mais mortes ocorram. "Estou desesperada. Meu filho está machucado. Levou uma pedrada na cabeça, mas conseguiu fugir do pavilhão onde começou a rebelião. Tenho medo de ele morrer. Ele fez 20 anos de idade há poucos dias, dentro dessa penitenciária" , lamentou Cristiane da Silva, mãe de Josimar da Silva Firmino, preso por tráfico de drogas. 

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