Familiares de jovens mortos vão à Justiça por indenização

Ministro da Defesa diz que reações contra militares na Providência foram em parte dirigidas pelo tráfico

da Redação, estadao.com.br

10 de julho de 2008 | 15h20

Os familiares dos três jovens mortos no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, vão à Justiça para pedir indenização, segundo confirmou o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 10, Jobim afirmou que, com a decisão dos familiares, o governo não vai mais enviar um projeto de lei para estabelecer uma pensão aos familiares dos jovens - que foram mortos depois de serem entregues a traficantes do Morro da Mineira.    Jobim voltou a defender a presença militar no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, onde o Exército participava de um projeto social destinado à reforma de casas populares. Segundo Jobim, o país compreendeu que a morte de três jovens moradores do morro, entregues por militares a traficantes do Morro da Mineira, membros de uma facção rival à que controla a Providência, ocorreu devido "ao desvio de conduta de um cidadão", o tenente Vinicius Ghidetti.   "As Forças Armadas e o Exército não têm responsabilidade por esse tema, pois isso decorreu de uma desobediência. Não podemos atribuir essa conduta às Forças Armadas", afirmou o ministro, ao participar esta manhã de entrevista a emissoras de rádio no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília. Jobim ainda atribuiu à presença de militares no Morro da Providência uma redução de atividades ilícitas. Segundo ele, isso teria motivado parte das manifestações contrárias ao Exército.   "A presença das Forças Armadas no morro determinou uma redução do uso do local como ponto do tráfico, criando problemas para os traficantes. Portanto, temos que entender que as reações contra as ações das Forças Armadas, misturadas à disputa eleitoral municipal, foram em grande parte dirigidas pelo próprio tráfico, a quem não interessava a presença militar dentro do morro."   Além de comentar o envolvimento do Exército no episódio, Jobim respondeu a perguntas sobre o incentivo governamental à aviação regional brasileira, admitiu a necessidade de que o efetivo militar presente na Amazônia seja reforçado, negou que guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tenham ingressado em território brasileiro e fez um balanço das iniciativas adotadas pelas autoridades do setor aéreo para conter a crise que atingiu a aviação brasileira a partir do final de 2006.   Jobim afirmou que a segurança de vôos foi restabelecida após os acidentes com os vôos 1907, da Gol, em setembro de 2006, e 3054, da TAM, em julho de 2007. De acordo com o ministro, hoje o percentual de atrasos está abaixo do registrado no início do ano passado. "A febre baixou enormemente, ou seja, a parte aguda da crise desapareceu."   No entanto, o ministro frisou que, embora os atrasos de mais de 60 minutos tenham baixado de 25,8%, em julho de 2007, para 8%, em maio deste ano, ainda é necessário resolver os atrasos de mais de meia hora, que atingiram 19,8% dos vôos no mês passado.   "Ainda temos problemas de infra-estrutura que estão sendo analisados, mas das três grandes bases da aviação civil - segurança , regularidade e pontualidade -, a segurança já está composta [resolvida] e caminhamos para os outros pontos."   O ministro também garantiu que o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, permanecerá sob administração da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). "A principio, ele ficará com a Infraero. Estamos investindo no aeroporto, já há licitações em andamento para a reforma do Terminal 1. Houve um aumento da freqüência de vôos e agora caminhamos para a retomada do Rio de Janeiro como base de vôos internacionais."   (Com informações da Agência Brasil)

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