Familiares de passageiros reclamam de falta de informação

Cerca de 40 parentes de passageiros que estavam no vôo 1907 da Gol, que caiu na tarde desta sexta-feira, 29, após se chocar no ar com uma aeronave de pequeno porte da Embraer, foram hospedados pela companhia aérea no Hotel Comfort Suítes na área central de Brasília. Do momento em que chegaram ao hotel até a tarde deste sábado, 30, eles reclamam da demora do repasse de informações por parte da Gol e da Infraero. O funcionário do Tribunal de Contas da União Bernardo Moreira, de 35 anos, reclamou da falta de informações por parte da Infraero. Ele contou que a mulher Patrícia, de 27 anos, com quem está casado há dois, costuma viajar para Manaus de 15 em 15 dias. Ela é consultora da Nokia. "Desde o final da tarde de ontem, tento me manter andando de um lado para o outro, é uma forma de não pensar nisso tudo", disse. Ele.Maria Irani Siqueira, moradora de Campinas, desabafou diante dos holofotes. Reclamou do tratamento da Gol e da Infraero pela suposta demora em avisar que o vôo em que o filho Plínio Siqueira Júnior, de 38 anos, tinha sido interrompido na tarde de sexta. "Fiquei sabendo pela televisão", reclamou angustiada. "Saí de Campinas e cheguei agora cedo (ontem) aqui em Brasília num vôo da TAM", contou.Funcionário da empresa aérea Bombardier, Plínio é casado há 12 anos e tem dois filhos, um de sete outro de oito anos. "As crianças estão sabendo por alto que o pai sofreu acidente", disse Maria. "Ontem, depois que soubemos do acidente, ligamos para o celular dele, ligamos, ligamos, e nada."Em Manaus, os familiares dos passageiros forma hospedados pela empresa aérea no Hotel Taj Mahal, no centro. "Eles disseram que não tem como dizer ainda se há ou não sobreviventes e pediu que nós ficássemos no hotel em quartos reservados ou voltássemos às 16 horas (hora Manaus - será 17) para um novo boletim ", contou a servidora pública Edjane Macedo, de 29 anos, que decidiu aguardar no hotel notícias sobre a avó Olga Macedo, de 74 anos, passageira do vôo 1907 da Gol. Segundo Edjane, sua avó mora em Manaus e estava indo passar o dia com um filha em Brasília. "A gente está sabendo mais pela televisão e pela internet do que pela Gol", disse o engenheiro da Petrobras, Renato Gouveia, que foi ao hotel Taj Mahal buscar notícias de um amigo que estaria no vôo. Sem esperançaOdair Alves Bovi, marido da pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) Marilene Alves Bovi, que estava no vôo da Gol, disse não ter esperanças de rever a mulher. "Pelas notícias que estamos recebendo creio que ninguém está vivo", afirmou. Casados há 32 anos, Odair e Mareline têm dois filhos. Ela voltava do Amazonas, segundo Odair, depois de participar de uma banca de defesa de tese sobre o palmito pupunha. Da região de Campinas, interior de São Paulo, pelo menos outras duas pessoas estavam no Boeing 737-800. Além de Mareline e Plínio, havia um outro passageiro da região de Campinas na aeronave: Antônio Gregório da Costa Pessoa, de Americana.

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