Familiares de vítimas de incêndio em boate fazem nova passeata por Justiça

Cerca de 300 pessoas caminharam por Santa Maria (RS) e oraram em frente ao local do incêndio

Lucas Azevedo,

02 Fevereiro 2013 | 19h27

  SANTA MARIA (RS) - Na tarde deste sábado, 2, após o fim da chuva, familiares e amigos de vítimas da tragédia de Santa Maria voltaram à fachada da boate Kiss, onde arrumaram flores e cartazes que haviam sido danificados pela água. Velas foram acesas no asfalto.

Cerca de 300 pessoas, entre familiares e amigos das vitimas, realizaram uma pequena passeata em silêncio. O evento terminou com uma oração pelos mortos em frente à boate. Lá, mais flores e fotografias foram colocadas no que restou da fachada do prédio.

Estalo. "Em vez de trazer alguma coisa para ele passar a semana, hoje a gente veio levar as coisas dele de volta." É dessa maneira que Rosane Maria lamenta a morte do sobrinho, Jacob Francisco Thiele, 22 anos, estudante do último ano de veterinária da UFSM. O rapaz é uma das 236 fatais da tragédia de Santa Maria lembradas na tarde deste sábado.

O tio João Antônio Steffen lembra que, no domingo 27, logo que soube do incêndio, ligou para o telefone do sobrinho, mas ninguém atendeu. "Logo deu o estalo. Era um guri que tava sempre ligando pra casa, sempre informando o que tava acontecendo. Ele não deu mais notícia, então eu já avisei a funerária."

João Antônio foi o primeiro a viajar de Santo Cristo, cidade da família de Jacob, até Santa Maria. Foi ele quem cumpriu os trâmites legais e liberou o corpo do sobrinho, filho de sua irmã, de volta à casa dos pais. "Ele não tinha nenhum hematoma, não tinha queimado nada. Ele morreu asfixiado mesmo."

Coube ao tio, sua mulher Rosane e ao filho pequeno, João Alberto, voltarem à Santa Maria neste sábado e levar aos pais os pertences do sobrinho. Mas antes, eles prestaram uma breve homenagem a Jacob: acenderam uma vela e penduraram uma foto do rapaz na fachada da Kiss.

Além dos Steffen, dezena de outras famílias se dirigiram em silêncio para a frente da boate, no final da tarde deste sábado. Com camisetas brancas estampadas com fotos das vítimas, eles rezaram e colocaram cartazes pedindo por Justiça. 

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