Familiares do brasileiro preso no Líbano esperam sua libertação

Clientes e colegas de trabalho se mostraram indignados com a prisão; libertação deve acontecer nesta 5ª, 21

Nelson Francisco, da Agência Estado,

21 de fevereiro de 2008 | 17h49

Familiares e amigos do médico cuiabano Mohamad Kassen Omais, de 45 anos, preso em Beirute, no Líbano, na última sexta-feira, 15, acompanham com ansiedade e apreensão sua libertação e esclarecimento da prisão.   Veja também: Brasileiro preso no Líbano deve ser liberado nesta quinta Médico brasileiro é preso no Líbano por suspeita de terrorismo Médico brasileiro detido no Líbano é pediatra conceituado Médico brasileiro é transferido de prisão especial no Líbano   Fontes das Forças de Segurança Internas (FSI) do Líbano informaram à BBC Brasil que Omais teria um passaporte libanês, que foi adulterado e usado por um primo que também tem cidadania brasileira, Zuheir Omais, para várias viagens à Síria.   Para a família, que mora em Cuiabá e no Líbano, no entanto, nenhum motivo foi apresentado para justificar a sua prisão.   Na clínica onde o médico atende, clientes e colegas de trabalho se mostraram indignados. "Há muitos anos que o conheço, que cuida dos meus dois filhos, e essa notícia parece ser surrealista", comentou Lorena Motta.   Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso (CRM-MT), informa que ele integra a entidade há 14 anos e não responde a nenhuma sindicância.   O presidente do CRM, Aguiar Farina, disse que ficou surpreso com a notícia da prisão do médico. "CRM-MT e a classe médica do Estado se solidarizam com a família do médico Mohamed Kassem Omais", disse em comunicado.   O advogado da família, Ayad Fares, disse que Omais deixou a prisão especial nesta quinta-feira, 21, e foi levado para uma outra, destinada a imigrantes ilegais, em Baabda, nos arredores de Beirute. "Tenho a expectativa de que ele seja liberado ainda hoje", disse Fares à BBC   Caso de homônimo   O irmão de Mohamed, o também médico Ali Kassen Omais, que mora em Cuiabá, acredita que ele teria sido confundido com uma pessoa que tem o mesmo nome, mas que vive no sul do Líbano.   "Ele nunca teve nenhuma ligação política, nem mesmo no Brasil, que dirá fora do país. O único vínculo do meu irmão com o Líbano é que nossos pais são libaneses e hoje vivem lá. Meu irmão nasceu, se formou e sempre morou no Brasil", disse Ali.   O médico brasileiro chegou ao Líbano no dia 15 de fevereiro para buscar os três filhos, de férias desde dezembro com os avós na cidade de Qaraaoun, no Vale do Bekaa, leste do país. "Tenho fé de que este pesadelo vai acabar, meus filhos estão muito apreensivos, assim como toda a família", disse a mulher de Mohamed, Gisele Couto, por telefone, à TV Globo.   Segundo Gisele, no momento da prisão, no aeroporto de Beirute, um policial chegou até seu marido e disse que ele estava detido temporariamente para averiguação, sem apresentar nenhum motivo.   "A polícia do Líbano não nos procurou em nenhum momento e não nos respondeu a qualquer das nossas interrogações. Toda vez que a gente perguntava alguma coisa para eles, diziam que não era nada e que tudo iria se resolver rápido, mas que não podia liberá-lo antes que eles fizessem essas investigações", afirmou.

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