Familiares fazem protesto diante de sala do embarque do vôo 3054

Amigos e familiares das vítimas dodesastre com o Airbus da TAM fizeram um ato nesta sexta-feira,em Porto Alegre, diante do portão usado no embarque do vôo3054, protestando contra o que consideram ser negligência eomissão das autoridades na resolução da crise do setor aéreo dopaís. O Airbus A320 fazia o trajeto Porto Alegre-São Paulo com187 pessoas a bordo quando sofreu o acidente na últimaterça-feira. Ao tentar aterrissar no aeroporto de Congonhas, oavião atravessou uma avenida, sem tocar no chão, e explodiuapós se chocar contra prédios e um posto de gasolina. "A idéia é demonstrar solidariedade a quem está sofrendo edescontentamento com as autoridades", explicou o publicitárioDaniel Martins à Reuters. Segundo Martins, o protesto foi organizado a partir de umatroca de emails entre seus amigos e recebeu a adesão defamiliares das vítimas. Na manifestação, o grupo de cerca de 200 pessoas carregoucartazes com os nomes dos passageiros do Airbus e permaneceudeitado no chão durante 10 minutos, em frente ao portão deembarque. "É um gesto de protesto contra atitudes que não estãosendo tomadas corretamente. Pode ter falha mecânica, mas faltagerenciamento", disse o geógrafo Luis Alberto Moreli, colega deuma das vítimas. A manifestação foi aplaudida e emocionou alguns passageirosque esperavam para embarcar. Para o empresário Ulisses Gallasi,que amargava um atraso de quatro horas em um vôo paraFlorianópolis, as manifestações são importantes e produtivas.Ele não escondeu a apreensão em voar. "A sensação na véspera do embarque é terrível. Viajo muito.Estou sofrendo e minha família também", disse Gallasi. "PEDINDO JUSTIÇA" O protesto ganhou adesão de parentes de vítimas dodesastre, como a família de Eliane Dornelles, uma trabalhadoraautônoma de 33 anos que embarcou em Porto Alegre e era esperadapelo pai em Congonhas. "Quem está aqui, está pedindo justiça. Estamos na esperançade que alguém tome alguma atitude", disse Gislaine Dornelles,irmã da vítima. Segundo Gislaine, a família está vivendo momentos de grandeangústia enquanto espera a identificação do corpo e a reaçãodos filhos de Eliane, Eduarda, 5 anos, e Vinicius, 7 anos. Atéagora, apenas 32 vítimas foram identificadas pelo InstitutoMédico Legal (IML). Os parentes e políticos que compareceram ao velório dodeputado federal Júlio Redecker também cobravam uma atitude dogoverno. Para o deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB/RS), asautoridades estão sendo coniventes com a subordinação dosistema aéreo a interesses comerciais. "Em Congonhas, os passageiros são tratados como gado porconveniência das empresas e omissão do poder público", disse odeputado à Reuters. Para Pinheiro, é preciso redistribuir o tráfego aéreo ereduzir a ocupação do aeroporto paulista. "O conjunto dosistema de transporte aéreo do Brasil está mal. O problema estáclaro e já pagamos um preço altíssimo", conclui Pinheiro. Nesta sexta-feira, o governo definiu uma série de medidascom o objetivo de desafogar Congonhas, incluindo a restrição deseu uso como ponto de conexões e a construção de um novoaeroporto na região da Grande São Paulo.

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