Familiares lembram um ano da morte com missa

Cerimônia ocorreu ontem na Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, na zona norte, e foi acompanhada por cerca de 500 pessoas

Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

30 de março de 2009 | 00h00

Uma missa realizada na manhã de ontem na Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, na zona norte de São Paulo, lembrou o primeiro ano da morte de Isabella Nardoni, de 5 anos. Quinhentas pessoas, entre parentes e amigos, compareceram à cerimônia celebrada pelo padre Humberto de Carvalho, o mesmo que havia batizado a menina, na Paróquia São Francisco Xavier, no Jardim Japão. Especial sobre o Caso IsabellaIsabella morreu ao ser jogada da janela do apartamento onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá. Acusado do assassinato da criança, o casal está preso há 11 meses nos presídios de Tremembé, a 147 km da capital e deve ir a júri popular. A mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, assistiu à missa na primeira fila, ao lado dos pais e na companhia de Massataka Ota, pai de Ives Ota, sequestrado e morto aos 8 anos, em setembro de 1997. Assim como a mãe, várias pessoas usavam uma camiseta com a foto de Isabella e os dizeres "para sempre nossa estrelinha". "É um dia difícil, mas a gente supera", disse Ana Carolina. "A missa foi bonita e emocionante."Um dos momentos mais emocionantes foi a entrega de uma vela acesa a Ana Carolina. "Simboliza a presença dela (Isabella)", disse o padre, que durante a missa falou sobre a morte e o julgamento de Deus. "Foi uma coincidência ler esse texto, mas diz que a morte, para o cristão, não é o fim, mas o encontro definitivo com Deus. Foi isso que aconteceu com Isabella."A pedido de Ana Carolina, o coral da igreja cantou a música Noites Traiçoeiras, do padre Marcelo Rossi, cujo refrão diz que "se a cruz pesada for, Cristo estará contigo. E o mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo". CEMITÉRIOAntes de ir à missa, o avô materno de Isabella, José Araújo de Oliveira, visitou o túmulo de neta no Cemitério Parque dos Pinheiros, no Jaçanã, zona norte. Segundo funcionários, ele pediu para que fossem retiradas do túmulo duas coroas de flores enviadas anteontem pela família Nardoni. Uma delas tinha uma faixa escrita "amor eterno, papai, Pietro, Cauã e tia Carol". A outra dizia "saudades do vovô, vovó Nardoni, madrinha e família". As flores foram jogadas no lixo. O túmulo de Isabella era o que tinha mais arranjos de flores ao redor da lápide, levados por pessoas que também quiseram lembrar a data do assassinato. Entre elas estava a auxiliar de cozinha Suely da Conceição, de 31 anos. Ela saiu de São Bernardo do Campo para levar uma carta, uma faixa e duas plaquinhas em homenagem a Isabella. "Hoje (ontem) faz um ano. A gente se comove. Sinto uma dor igual à que sentiria se tivesse ocorrido com minha filha."A estudante Isabella de Morais Cavalcanti, de 7 anos, também prestou sua homenagem com um cartaz em formato de coração. A estudante foi ao cemitério com a mãe, a tia e a avó, a dona de casa Maria de Lourdes, de 60 anos, que mora em frente ao cemitério. "Todos os dias, quando acordo, abro a janela e falo para ?meu bebê? descansar em paz."

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