Familiares no Rio eram levados para área restrita

Contato com parentes foi dificultado porque alguns passageiros não preencheram ficha de embarque

Pedro Dantas e Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

02 de junho de 2009 | 00h00

Desde cedo, os parentes dos passageiros do voo AF 447 procuravam informações no balcão da Infraero no Aeroporto Internacional do Rio Tom Jobim (Galeão). Uma das primeiras a chegar, por volta das 8h30, foi a professora Vasthi Ester, de 70 anos. Com as mãos trêmulas, ela buscava informações sobre a filha, Adriana Francisca Van Sluijs, assessora de imprensa da presidência da Petrobrás."Não consegui me despedir, porque moro em Niterói e ficaria tarde. Liguei para minha filha e disse que ela viajaria sob as asas protetoras de Deus. Ela iria de Paris a Seul, onde participaria da inauguração de um navio." Vasthi foi levada por funcionários da Infraero para uma área reservada.Os parentes eram enviados para o salão nobre do prédio administrativo onde a Infraero e a Air France disponibilizaram psicólogos para acompanhar as famílias. De lá, eram enviados para o Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, onde a Air France alugou 50 quartos para acolher as famílias dos passageiros."Há um silêncio profundo no salão nobre e um clima de respeito mútuo. Não há muitas informações", disse o funcionário público Bernardo Ciríaco. Ele procurou a Infraero, pois acreditava que o irmão tinha em embarcado no voo AF 447, mas foi informado que ele seguiu num voo anterior.O cônsul da França no Rio de Janeiro, Hugo Hugues Goisbault, chegou pela manhã no aeroporto e reconheceu dificuldades para entrar em contato com algumas famílias. "Alguns passageiros não preencheram a ficha de embarque e temos pessoas de várias nacionalidades, como Gâmbia e China", declarou o cônsul. Ele afirmou que entre os franceses do voo AF 447 havia turistas, homens de negócios e franceses que viviam no Brasil. "Eu conhecia alguns deles. É a maior tragédia dos 70 anos de história da Air France", lamentou.Também muito tenso, Nilton Marinho, irmão do engenheiro mecânico Nelson Marinho, um dos passageiros do 447, se queixava da Air France. "Ligaram para minha cunhada para saber se o casal tinha filhos, para saber dos herdeiros. Foi uma total falta de sensibilidade", protestou Nilton. Ele contou que o irmão trabalha para uma empresa norueguesa e passaria um ano em Angola.Durante todo o dia a procura foi grande. As histórias se multiplicavam. Parentes procuravam informações sobre a mulher que viajou com o marido e os pais para Paris. Filhos queriam saber sobre os pais de 70 anos que foram celebrar o aniversário de casamento na capital francesa.Acompanhada de amigas, uma mulher tentava saber alguma coisa sobre o noivo que embarcou para Paris e de lá iria para Moscou. Até o início da noite, as pessoas continuavam embarcando nos veículos que levavam até o salão nobre.Em contraste com a aflição dos passageiros, o frei Cesar Cardoso Resende, da Paróquia Santa Therezinha, na Tijuca, e um grupo de religiosos estavam aliviados por não terem embarcado no voo AF 447. A agência de viagem mudou a passagem deles uma semana antes do embarque. "A mão de Deus está em tudo. Eu realmente fiquei impressionado com o que aconteceu", disse o Frei, que fará uma peregrinação pelo Leste Europeu.NOTAEm nota oficial, a Air France afirmou que "está fazendo tudo ao seu alcance para dar apoio aos familiares e pessoas próximas aos passageiros". Além disso, "uma equipe de médicos e psicólogos está no local (no hotel da Barra da Tijuca) para total assistência: 4 psicólogos, 2 psiquiatras e dois clínicos". A empresa informa ainda que "equipes médica e psicológica também estão disponíveis no Aeroporto do Galeão, no Rio, e no de Paris". A Air France conta com cem voluntários nos dois aeroportos.

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