Familiares pedem a Jobim para TAM abrir 'caixa-preta' do seguro

Familiares pedem ajuda a ministro; Jobim diz que aéreas fazem terrorismo com preços

Elder Ogliari,

14 de agosto de 2007 | 21h23

Cerca de cem familiares das vítimas do vôo 3054 da Tam pediram ajuda ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, para convencer a empresa a mostrar a apólice do seguro contratado com o Unibanco AIG para acidentes com suas aeronaves em reunião no Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande do Sul, no início da noite desta terça-feira. "Precisamos abrir essa caixa-preta", disse o advogado Oswaldo Matos, 58 anos, pai do administrador financeiro Fabiano Rosito Matos, 30 anos, morto na tragédia. Os familiares demonstram impaciência com informações desencontradas. Dizem ter notícias de que o avião, a tripulação e os passageiros estariam cobertos por uma indenização de US$ 1,5 bilhão, mas só receberam a oferta de R$ 30 mil da Tam a título de adiantamento e temem que a empresa tente usar a eventual aceitação desse valor como quitação do débito. Além da questão financeira, os familiares se queixaram de falta de atenção da empresa. "Eu tive dificuldades até para consultar um médico", revelou Débora Souto Pinto, filha do administrador José Luiz Souto Pinto, uma das vítimas do acidente. "Parece que eles não estão se esforçando para atender bem as famílias". Jobim entregou aos participantes da reunião uma relação das providências que a Tam diz ter tomado e pediu que eles avaliem todos os itens e apontem as divergências em nova reunião, marcada para a tarde desta quinta-feira no Blue Tree de São Paulo. "Vamos examinar o problema do seguro e o conjunto de situações (decorrentes do acidente) a partir do dia 16 (quinta-feira)", afirmou, ao sair do encontro de quase duas horas. O ministro reiterou que assumiu a tarefa de solucionar a crise aérea e anunciou que regularidade e pontualidade são metas a atingir sem abrir mão da segurança. "Esse item é inegociável", afirmou. Jobim também considerou o possível aumento dos preços das passagens em caso de redução do número de vôos e de ampliação do espaço entre as poltronas para dar mais conforto aos passageiros como "parte do terrorismo das empresas". E admitiu discutir o papel da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) no contexto do novo modelo de aviação que o País vai adotar. Ao final da reunião, os familiares mostraram-se satisfeitos com o que ouviram de Jobim. "Eu senti que ele está decidido a fazer ou ir embora", comentou Matos. "Ele demonstrou firmeza na intenção de solucionar os problemas", avaliou o jornalista Roberto Gomes, irmão do empresário Mário Gomes, morto no acidente. O professor Dario Scott, pai da estudante Thaís Scott, 14 anos, acredita que agora o governo começou a dar respaldo às famílias das vítimas. Antes da reunião, Jobim viu um protesto de cerca de 50 pessoas ligadas ao Movimento Luto Brasil, que se postaram diante do Palácio Piratini e vaiaram sua passagem em direção a um estacionamento lateral do prédio. Os manifestantes, vestidos de preto, são do mesmo grupo que já havia promovido dois atos públicos no aeroporto Salgado Filho desde o dia do acidente. "O ministro deve saber que atrás dessas pessoas que estão sofrendo tem gente disposta a cobrar que o governo faça as coisas certas, com responsabilidade", disse a dona de casa Cristina Degrazia, 55 anos. Entre os participantes estavam alguns familiares de vítimas do acidente.

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