Famílias de sem-terra ocupam fazenda Engenho Novo

Cerca de 200 famílias de sem-terra ligadas ao Movimento Nacional dos Tr abalhadores Rurais Sem-Terra invadiram por volta das 22h30 de ontem a fazenda Engenho Novo, em Rio Brilhante, a 340 quilômetros de Campo Grande. Os invasores foram recebidos com tiros para o alto por pelo menos 20 seguranças da fazenda que pertence a Laura Costa Brito, sobrinha do senador Lúdio Coelho (PSDB). Não há feridos ou mortos no local, mas a situação é tensa, segundo o coordenador do MST, Edilson Sarate. Os tiros não intimidaram os sem-terra, que desarmaram os seguranças, tomaram seus documentos e até celulares. Depois incendiaram a sala de comunicação, destruindo o sistema de rádio da fazenda. A ação pode ser reflexo de dois fatos. O primeiro é que no ano passado o proprietário da COES (Coordenação de Operações Especiais), Cláudio Penhavel, atraiu para dentro da mesma fazenda os líderes de acampamentos de sem-terra em Rio Brilhante, Ranildo Silva e Silvio Rodrigues, deixando que seus empregados assassinassem os dois sem-terra com tiros na cabeça. Ele e outros cinco acusados foram presos, mas depois liberados e aguardam a decisão judicial em liberdade. O outro é o fato de a fazenda Engenho Novo ter sido desapropriada pelo Governo Federal, mas ainda não foi entregue aos sem-terra. A propriedade rural continua sendo explorada pela proprietária, que apesar dos assassinatos continua contratando os serviços da COES. Edilson Sarate disse que Cláudio Penhavel comandou pessoalmente a tentativa de impedir a ocupação da área. O segurança da fazenda Engenho Novo, Josias Teixeira Primo, registrou queixa contra os invasores na Polícia Civil. Ele nega a informação de que no momento da invasão havia 20 seguranças no local. Garante que eram três.

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