Famílias de sem-teto ocupam terreno em Maceió

Cerca de 200 famílias de sem-teto da periferia de Maceió, mobilizadas pelo Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), ocuparam na manhã desta quinta-feira um terreno público, no Conjunto Benedito Bentes, em Maceió. No local há uma unidade educacional do Centro de Assistência Integrada à Criação (CAIC). As famílias querem a construção de residências na área. Segundo o coordenador do MTL, Rafael Simão, a previsão é que mais 200 famílias cheguem ao local até amanhã. "Essa é mais uma ocupação urbana organizada pelo movimento. Exigimos que nessa área sejam construídas casas para essas 400 famílias desabrigadas", afirmou Rafael, explicando que o MTL atua tanto no campo, com os sem-terra, como na cidade, com os sem-teto. O líder comunitário do Benedito Bentes, Silvano Barbosa, disse que é contra a ocupação e já teria tomado medidas preventivas no bairro. "O Benedito Bentes não é o local ideal para a instalação do MTL, já temos muitos problemas para solucionar. Começamos a prevenir os comerciantes contra possíveis saques e já acionamos a polícia e o Centro de Gerenciamento de Crises da PM", enfatizou. A ocupação será definitiva. "Não vamos sair daqui tão cedo. Essas famílias não têm para onde ir e ficarão acampadas até a construção das casas no local", afirmou Rafael. "No ano passado atuamos também contra o despejo dos moradores do Conjunto Galiléia, na periferia de Maceió", lembrou o coordenador do MTL. O coordenador do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, coronel Adilson Bispo, disse que a situação é tranqüila. "As informações que recebemos é de que representantes da Companhia Alagoana de Recursos Humanos e Patrimônio estiveram no local para tentar solucionar o problema, se a situação esquentar no local entraremos em ação", afirmou o coronel. Fome Entre os sem-teto há aproximadamente 100 crianças, de quatro meses a 12 anos, informou Eliane Silva, da coordenação do MTL. A maioria, segundo ela, está com fome, pois até o momento nenhuma entidade governamental ou não-governamental teria providenciado alimentos e medicamentos para os sem-teto. "Esperamos a ajuda das autoridades locais e entidades assistenciais para resolver esse problema."

Agencia Estado,

23 Fevereiro 2006 | 19h06

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