Famílias descobrem que filhas foram trocadas no hospital

Após 11 meses, duas famílias conheceram suas verdadeiras filhas hoje, em São Joaquim da Barra, na região de Ribeirão Preto. As meninas foram trocadas na maternidade da Santa Casa da cidade, em 7 de fevereiro do ano passado, quando nasceram. Abaladas, as duas famílias não sabem se irão desfazer a troca, mas comunicaram o caso ao Ministério Público local. O resultado do exame de DNA, confirmando as trocas, saiu na segunda-feira.Depois de ouvir de parentes e amigos que sua filha, Beatriz, ainda bebê, não se parecia com os pais, o vendedor Cleiton Laércio Bizaio Mustafe, de 25 anos, que mora em Guará, resolveu fazer um exame de DNA, em 27 de novembro, custeando os R$ 650,00. Em 15 de dezembro, chegou o resultado e a confirmação: a menina não era filha biológica dele e da mulher Milena, de 33 anos. Então, comunicaram à direção da Santa Casa o resultado e a possível troca de bebês. No último dia 16, após chegar em seus arquivos dados como data de nascimento e estudar os prontuários com as características dos bebês, a Santa Casa fez exames de DNA em outras três famílias.Com o resultado do teste, os pais de Maria Fernanda, o pintor Paulo Sérgio Pereira Pinto, de 24 anos, e a faxineira Sandra, de 30, souberam que a filha havia sido trocada na maternidade. Sandra e Milena estavam no mesmo quarto no dia do parto e as duas meninas nasceram praticamente no mesmo horário, às 7h20. Os pais encaminharam o caso ao Ministério Público, pois querem apurar responsabilidades pelo transtorno e até querem que a Santa Casa banque tratamentos psicológicos, mas não sabem se irão desfazer a troca. "É tudo muito recente", disse Mustafe.O administrador da Santa Casa, João Alberto Destro, afirmou que a instituição dará todo o suporte necessário solicitado pelas famílias e até os que a Justiça determinar, se for o caso.A região de Ribeirão Preto teve outro caso de troca de bebês descoberto recentemente. Em setembro, após 11 anos, um casal de Sertãozinho descobriu que a filha havia sido trocada na maternidade da Santa Casa.O recepcionista Sidnei Rodrigues Santana, de 30 anos, sabia que a menina, desde os 3 anos, não era sua filha e suspeitou de traição da companheira. Mas a ex-mulher Simone Rodrigues, de 27 anos, só aceitou fazer o exame de DNA em 2003 e descobriu que também não era a mãe. Após outros exames, das famílias que tiveram meninas em 21 de abril de 1992, Sidnei e Simone descobriram a verdadeira filha biológica, Virgínia, e a encontraram em outubro. Porém, não houve destroca. Eles ficaram a menina que criaram, Suélen. As famílias se aproximaram e tentam superar o trauma. O caso chegou à polícia.

Agencia Estado,

06 de janeiro de 2004 | 18h06

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