Famílias ficam sem notícias

Mãe só soube que filho estava vivo por lista de transferidos

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2024 | 00h00

Em meio a um sentimento de apreensão e desespero, centenas de familiares de presos se concentraram na frente da Cadeia Pública de Ponte Nova após a notícia da morte de 25 detentos durante motim na madrugada de ontem. A principal reclamação era a falta de notícias. Como os corpos ficaram carbonizados, o trabalho de reconhecimento dependia de coleta de informações e providências legais. Até o início da noite de ontem, nenhum nome de vítima havia sido divulgado.O alívio da aposentada América Geralda dos Santos Silva veio somente depois de 12 horas de sofrimento. Ela teve certeza de que o filho Jean Carlos Silva estava vivo quando um policial militar leu seu nome em uma lista de presos que seriam transferidos para Muriaé, também na Zona da Mata mineira, a 370 quilômetros de Belo Horizonte. ''''Desde as 2 horas estou aqui e ninguém falava o que tinha acontecido com ele. Estava em desespero, não consegui comer nada'''', disse.Marcelo da Cruz Siqueira, de 29 anos, levou a cópia do RG e uma foto do irmão, Marcos Barbosa Siqueira, preso há quatro meses por latrocínio. ''''Não sei o paradeiro dele.'''' Sob sol forte, Claudinéia Martins dos Santos sentiu-se mal e foi socorrida. Ela voltou para casa sem saber se o irmão, Claudinei, estava entre os 25 mortos.A mãe de Cleverson Alexandre da Cruz - apontado como o principal alvo do grupo de presos responsável pelo ataque -, Alice Alexandre da Cruz, afirmou que o filho estava jurado de morte pelo traficante Wanderson Luiz Januário, o Biju, líder de uma gangue rival, que foi transferido no final de junho para a cidade mineira de Além Paraíba.''''Ele fez quatro buracos na cela para matar meu filho'''', afirmou Alice. Segundo ela, os dois já foram amigos. ''''Mas brigaram por causa de uma namorada''''. Karina de Paiva Januário, irmã de Biju, disse, chorando, que ele ''''não fez parte do que aconteceu''''.Em entrevista a uma rádio, o presidente da comissão de Assuntos Penitenciários da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), Adilson Rocha, orientou os parentes dos mortos a procurar advogados e pedir indenização contra o Estado. ''''Se havia guerra de gangue, arma ou não, uma coisa é certa: as pessoas estavam sob a responsabilidade do governo do Estado.A tragédia mobilizou a cidade de 56 mil habitantes. A Polícia Militar reforçou a segurança externa e interna da cadeia. Tumultos foram registrados do lado de fora.A Secretaria de Defesa Social de Minas informou, em nota, que mobilizou outros órgãos do governo para atender os familiares dos presos, ''''prestando a assistência necessária para tentar minimizar os efeitos dessa tragédia''''.

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