Famílias fogem de ''''distrito fantasma''''

95% das casas estão condenadas em Caraíbas, que tinha 300 moradores

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2007 | 00h00

Itacarambi - A maior parte dos 300 habitantes de Caraíbas deixou as residências após o abalo sísmico de domingo. Um levantamento do Corpo de Bombeiros indicou que 95% dos imóveis estão comprometidos e terão de ser demolidos. O coronel Cláudio Teixeira pediu rapidez aos moradores na retirada dos bens ou de animais criados por eles - embora muitas pessoas ainda rondem a área, sem saber para onde ir. A comunidade é formada por gente simples, como a aposentada Domingas da Mota, de 60 anos. Caminhando ontem pela sua casa, semidestruída, Domingas não largava o relógio de parede com a imagem de Santa Luzia. Ela atribuiu à fé na santa o fato de sair ilesa."Tenho amor às minhas plantas e meus bichos, mas a gente tem de ter mais amor é à nossa vida", disse Domingas. "Todo o povo já saiu daqui, não temos mais como continuar nesse lugar." "Aqui existe risco e as pessoas precisam entender que não podem mais ficar nas casas. Novos abalos e desabamentos podem ocorrer", disse o coronel, alertando para o fato de que a força policial poderia ser usada em caso de resistência na remoção de crianças e adolescentes. Os desabrigados estão sendo levados para creches e espaços provisórios na área urbana do município. "Estamos com medo", disse o trabalhador rural Manuelino Rodrigues da Rocha, de 47 anos, que, no fim da manhã, deixava o povoado em um caminhão com a mulher, os filhos e os objetos pessoais que conseguiu recuperar em meio aos escombros da casa. Emocionada, a família relembrou a madrugada de domingo e jurou não mais voltar a Caraíbas. "Esses tremores começaram em maio e estão até hoje. Eu estava numa crise que nem dormia. Pressentia que vinha uma coisa pior", disse, às lágrimas, a mulher de Manuelino, Maria das Dores, de 41 anos.O medo também tomou conta da vizinha Vargem Grande - também conhecida pela população como Várzea Grande. Na localidade, os abalos sísmicos também vêm sendo sentidos desde maio - quando uma equipe da Universidade de Brasília foi chamada. "Lá em casa trincou a parede. Pensei em dormir esta noite debaixo da cama. Precisamos saber se corremos risco", reclamou a professora Maria José de Souza, de 39 anos. ''''PARA ONDE IREMOS?''''A servente Maria Rosa Gonzaga Silva, de 46 anos, disse que o filho Claudinei, de 26, cogitou dormir de capacete, temendo um desabamento. "Passei a noite em claro", afirmou o rapaz. "Pensamos em ir embora, mas aí veio a pergunta: para onde nós iremos?", indagou.

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