Familiares viajam a Brumadinho em busca de desaparecidos

Prima de engenheiro da Vale diz que ele deixaria empresa nesta semana para voltar para Sorocaba; dono de imobiliária de São José do Rio Pardo também não fez contato com parentes

José Maria Tomazela e Rene Moreira, O Estado de S. Paulo e Especial para o Estado

28 de janeiro de 2019 | 14h41

SOROCABA E FRANCA - Famílias de São Paulo estão em Brumadinho, onde o rompimento de uma barragem da Vale deixou 60 mortos e quase 300 desaparecidos, para buscar parentes que não fizeram contato após o desastre.

Parte da família engenheiro Daniel Guimarães Almeida Abdalla, de 27 anos, que está na lista dos funcionários da Vale desaparecidos, já viajou para Brumadinho para acompanhar as buscas pelas vítimas. A esperança é de que, por ser maratonista e ter bom preparo físico, ele tenha conseguido escapar da avalanche de rejeitos que vazou da barragem.

“Estamos sem dormir, orando e esperando, mas a cada minuto que passa, a angústia vai aumentando”, disse. Ela lamentou que, após o acidente em Mariana, não tenham sido aumentadas as margens de segurança em barragens desse tipo. “Quantas vezes mais precisa acontecer para que alguém faça alguma coisa?”, questiona a estudante de engenharia Vitória Cristina Abdalla, prima do engenheiro.

Segundo Vitória, Abdalla ia deixar a empresa nesta semana, porque queria voltar para casa, em Sorocaba, interior de São Paulo, e procurar outro emprego. “Ele dizia que, para ter de ficar longe da família, o salário não compensava.”

O engenheiro chegou há três meses em Brumadinho e, além do trabalho bastante “puxado”, de acordo com a prima, ele se queixava de saudades da família. Ela conta que, depois de tomarem conhecimento da tragédia pelo noticiário, os familiares tentaram em vão contato com o jovem pelo celular. Vitória chegou a postar, em rede social, um apelo por notícias do primo. “Continuamos sem notícias do Dani”, disse, nesta segunda-feira, 28.      

Desde sexta-feira, 25, dia do desastre, uma família de São José do Rio Pardo, também no interior paulista, está desaparecida. Parentes que estão na região da barragem contam que Adriano Ribeiro da Silva, de 60 anos, é dono de uma imobiliária na cidade paulista e estava de férias em uma pousada. Ele viajou com a esposa Maria Lourdes Ribeiro, de 58 anos, os dois filhos e a nora grávida de quatro meses.

Famílias de Minas Gerais

Entre os 292 desaparecidos, também consta a bióloga Angélica Aparecida Ávila, moradora de Guapé (MG) e que vinha prestando serviços na unidade da Vale na cidade de Macacos (MG). Segundo familiares, justamente na sexta-feira ela foi mandada para um trabalho temporário em Brumadinho e, desde então, não foi mais vista.

Outro que segue desaparecido é Daniel Muniz Veloso, que morava no município de Coração de Jesus (MG) e era contratado por uma empresa terceirizada. Quem também atuava em uma prestadora de serviço e está sumido é o encarregado de almoxarifado Carlos Roberto Pereira, de 61 anos, de Divinópolis (MG).

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.