Famílias pedem demissões na Anac

Parentes se encontraram ontem com ministro da Defesa, que disse que deve fazer mais demissões na Infraero

Alexandra Penhalver, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

Familiares de vítimas do acidente com o Airbus A320 da TAM, que deixou 199 mortos há um mês, cobraram ontem do ministro da Defesa, Nelson Jobim, a demissão de toda a direção da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Eles se dizem "indignados" com o fato de os cinco diretores terem sido condecorados pela Aeronáutica dias após a tragédia do vôo 3054. Ao fim do encontro com as famílias, na tarde de ontem em um hotel de São Paulo, Jobim disse que eles terão uma "surpresa", referindo a possíveis mudanças na direção da agência. Aos jornalistas, porém, Jobim declarou que só decidirá o que será feito com relação à Anac, a partir de segunda-feira.O ministro disse ainda que demitirá hoje três integrantes da diretoria da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). "Estamos enfrentando dificuldades para encontrar nomes, pois as pessoas querem assumir o serviço público, não em momentos de crise, mas com céu de brigadeiro."Durante a reunião, o empresário Christopher Haddad, pai da estudante Rebeca Haddad, morta na tragédia, denunciou ao ministro um lapso de 23 minutos nas gravações da caixa-preta de voz do jato. "Acompanhando o diálogo da transcrição da caixa-preta, há um branco de 23 minutos", afirmou. "A aeromoça diz ao comandante que foi feita a checagem da cabine e pergunta ?onde vamos pousar?. Depois disso, há um corte e o diálogo só volta com conversas antes do pouso. Não sei se esse trecho poderia proteger alguém. São só suposições." Jobim se comprometeu a verificar eventuais irregularidades. "Vamos encaminhar o caso aos órgãos competentes." Os familiares aproveitaram a visita do ministro para entregar um carta com 29 pontos "problemáticos" relacionados à assistência após o acidente, como dúvidas sobre o pagamento do seguro obrigatório. Eles temem que, ao aceitar os R$ 14 mil fixados em lei, correm o risco de inviabilizar pedidos de indenização. Também disseram que se sentem desamparados pela TAM.O governador José Serra e o secretário de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, que também participaram do encontro, colocaram a Defensoria Pública à disposição das famílias que não têm condições de contratar um advogado. Ao todo, 175 familiares estiveram na reunião. Hoje, um mês depois da tragédia, às 17h30, eles fazem uma passeata em Congonhas. Vão partir do saguão e seguir a pé até o local do acidente, onde depositarão flores.

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