Famílias são despejadas de prédios públicos

Cerca de 60 famílias foram despejadas nesta quinta-feira de quatro casarões da Secretaria de Estado da Cultura, na Alameda Cleveland, 601, em Campos Elíseos, no centro de São Paulo.Alguns sem-teto foram levados para casas de parentes, mas a maioria não teria onde se alojar. Uma pessoa foi detida pela manhã e encaminhada ao 77º Distrito Policial. Os imóveis, construídos num terreno de 900 metros quadrados, já haviam sido desocupados outras duas vezes e são tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Eles pertenceram ao aviador Santos Dumont. Durante todo o dia, representantes da Secretaria Municipal de Habitação negociaram, sem sucesso, com o governo estadual, um adiamento da remoção para que se encontrasse outro lugar para os moradores. Segundo o assessor da secretaria estadual Miguel Tebar, existe um laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, de 1995, que atesta o risco de desabamento do imóvel, o que obrigava a desocupação. Há 15 dias, a Administração Regional da Sé também teria mandado um ofício alertando sobre as condições ruins. Para acomodar os desalojados, a Sehab pleiteia um terreno de 800 metros quadrados de Secretaria de Estado da Segurança Pública, que fica na Alameda Dino Bueno, próximo aos casarões. A Prefeitura promete liberarnesta sexta-feira R$ 2.100,00 para cada família cadastrada. Apesar de condições estruturais precárias, os prédios dispunham de água e energia. Foram utilizados 100 policiais militares para garantir a desocupação, iniciada às 6 horas. A polícia fechou a alameda e ruas próximas. Às 14 horas, repórteres e fotógrafos puderam entrar nos casarões, mas acompanhados de um PM. Depois, tiveram de sair da área. Até as 18 horas, a remoção ainda não havia terminado.Segundo a PM, o fato de as pessoas não terem para onde ir e os poucos caminhões disponíveis para a mudança atrasaram a operação.A intenção da Secretaria de Estado da Cultura é ceder o espaço para a Fundação de Energia Elétrica, que deve restaurar os casarões. No local, será instalado um Museu da Energia, além de um centro cultural. O casarão principal já serviu de moradia para Santos Dumont. Segundo o vereador Nabil Bonduki (PT), os prédios da secretaria foram invadidos pela primeira vez em 1983. A primeira reintegração de posse ocorreu sete anos depois. Em 1995, houve nova ocupação e os sem-teto foram retirados no ano seguinte.Ainda segundo Bonduki, o prédio foi tomado por traficantes e parte dele foi destruída num incêndio. Em 1997 os antigos moradores voltaram.O vereador afirma que essas famílias haviam recebido uma carta de crédito da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), no valor de R$ 5.000,00, mas não conseguiram comprar nenhuma casa com esses recursos.

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