Fantasias em SP serão feitas com materiais reciclados

São Paulo terá este ano um carnaval marcado pela utilização de materiais reciclados. A crise do ano passado e o aumento do valor do dólar levaram os organizadores a restringir o uso de plumas nas fantasias. Uma determinação que de um lado tenta reduzir a diferença entre as agremiações com maior e menor poder aquisitivo e de outro exige soluções criativas dos artistas. Para o carnavalesco da Águia de Ouro, Paulo Führo, isso significa uma valorização do que é fundamental na principal festa brasileira. Brincar com os materiais simples e comuns ao cotidiano e transformá-los em alegres adereços, carros e roupas é mais importante que lançar mão de tecidos e penas caras. "No ano passado, terminamos em quarto lugar e não usamos efeitos especiais", diz. "Isso é coisa para Hollywood, não é carnaval." Um modelo para ele nessa questão é Joãosinho Trinta. Em três grandes desfiles, nas décadas de 70, 80 e 90, o carnavalesco - autor da frase que destaca a paixão dos intelectuais pela miséria e dos pobres pelo luxo - o inspira. Em um, Joãosinho utilizou bacias e areia para construir esculturas em seus carros. Noutro, trapos para vestir personagens da miséria. Num terceiro, sacos plásticos pretos para revestir um carro. "Você tem de transformar as coisas", conclui Führo. "As plumas servem para dar volume ao conjunto das alas." Na Rosas de Ouro, esse volume será conseguido pela matéria-prima de seu enredo. Dispostos a contar a história do pão, os componentes devem usar o trigo em muitas das fantasias. A troca de materiais e o uso de tecidos nacionais acabou por derrubar o preço das roupas e facilitar a vida de quem gostaria de desfilar, mas era afastado da idéia pelos valores elevados. Para o vice-presidente da Unidos de São Lucas, Mauro Politi, encontrar soluções para a falta de recursos não é novidade. No ano passado, depois de subir ao Grupo Especial, conseguiu manter-se entre as maiores escolas com um desfile em que a alegria e o colorido foram primordiais. Com o orçamento de carnaval entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão e a ajuda dada pela Prefeitura em torno de R$ 400 mil, o jeito é contar com o apoio dos comerciantes da região e com as festas antes do desfile. "Sempre temos de arrumar fontes alternativas de recursos e temos de trabalhar com reciclagem para apresentarmos um carnaval bonito, criativo e luxuoso." A reciclagem vale até para as plumas que, de um ano para outro são guardadas, pintadas e reaproveitas por algumas agremiações. Exceção é a Gaviões da Fiel. De acordo com seu diretor de carnaval, Sandro Silva Pinto, a escola só não vai utilizar plumas nas alas onde o regulamento as proíbem. Isso gastando praticamente o mesmo que no ano passado por causa de sua organização. "Tivemos sorte, pois compramos as plumas antes da alta do dólar." Ele, no entanto, admite que isso não garante nada. "O carnaval abrange vários aspectos e um deles é o luxo."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.