Fantástico mostra advogados orientando encenação de Suzane Richthofen

Uma reportagem do programa "Fantástico", da Rede Globo de Televisão, acusou neste domingo advogados de Suzane Louise von Richthofen, denunciada por participar do assassinato dos próprios pais, de montar uma farsa para a televisão. A montagem foi descoberta porque, durante entrevista a repórteres da emissora, um microfone na blusa de Suzane captou orientações de seus defensores sobre como ela deveria se comportar na frente das câmaras - inclusive simulando chorar e acusando o ex-namorado. Em 31 de outubro de 2002, Suzane ajudou a matar os pais, Manfred e Marísia von Richthofen, com a ajuda do namorado Daniel Cravinhos e do irmão dele, Cristian.Sem saber que estava sendo gravado, o advogado e amigo da família Denivaldo Barni ordena, pouco antes do início da segunda parte da entrevista, na quinta-feira passada: "Chora!". "Não vou conseguir", responde Suzane. "Você tá feliz? Então tá", diz ele. No mesmo dia, depois de Suzane já ter gravado a maior parte da entrevista, quando a equipe da Globo estava longe, uma voz que segundo o Fantástico foi identificada por um perito criminal como sendo a do advogado Mário Sérgio de Oliveira, diz a ela: "Acabou. Mais nada. Começa a chorar e fala: `Não quero falar mais´."A mesma voz também a orientou a dizer que o ex-namorado lhe dava ordens: "o que ele mandava, ele mandava sempre dizendo que se o amasse, era para fazer, que eu nunca... E pelo amor de Deus, não quero mais falar desse assunto, que me faz muito mal´".As orientações flagradas coincidem com a performance de Suzane no dia anterior ao gravar a primeira parte da mesma entrevista, no apartamento de Barni. Na ocasião, Suzane, escondendo o rosto com o cabelo, pareceu chorar 11 vezes nos 34 minutos que esteve em frente à câmara de televisão - segundo o Fantástico, sem nenhum sinal de lágrima no rosto. A entrevista foi interrompida a pedido dela, que, com jeito frágil e infantil, usava pantufas de coelho, camiseta com personagem da Disney e exibiu fotos da família. "Não agüento mais", disse, parecendo chorar, o que provocou o segundo encontro no dia seguinte.Suzane declarou que gostaria de voltar a quando tinha 15 anos "para nunca ter conhecido ninguém daquela família (Cravinhos)". Disse também ter ódio de Daniel. "Ele destruiu a minha família. Ele destruiu tudo. Tudo o que eu tinha de mais precioso", afirmou. A ré, que, quando confessou o crime em 2002, disse ter matado os pais "por amor", agora culpa o ex-namorado. "Ele sempre me dava muita droga, muita droga. Cada vez mais e mais, e isso foi acabando comigo. ´Se você me ama, usa. Se você me ama, faz isso", disse. Suzane não respondeu a nenhuma pergunta sobre a noite do crime ou sobre o seu planejamento. Suas palavras eram de arrependimento. "Hoje eu vejo como era feliz e não sabia. Como eu queria minha família de volta". Ela também disse ter medo de sair sozinha e queixou-se do tio, Miguel Abdalla, irmão de sua mãe. "Ele não gosta de mim. Afasta todo mundo de mim", disse. Suzane diz ter saudades da avó, Lourdes Abdalla, mas não a encontrar por proibição do tio.

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