Farmácia do HC deixa até doentes graves sem remédio

Ao contrário do divulgado pelo hospital, pacientes não receberam medicamentos ontem

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

28 de dezembro de 2007 | 00h00

Pacientes enfrentaram o caos no Setor de Farmácia do Hospital das Clínicas ontem. Em dias normais, o HC entrega 6 mil receitas - 20% de alto custo para tratamentos graves - e pelo menos 30% dos 1.085 itens disponíveis são fabricados no centro médico. Às 5h30, cerca de 150 pessoas esperavam em uma fila no meio da rua. Quando a farmácia abriu, às 7h24, muitos pacientes ficaram frustrados porque, mesmo com as receitas, saíram de mãos vazias. Apenas pela manhã, a reportagem ouviu 50 pacientes que contaram a mesma versão de que atendentes recomendaram o retorno após o dia 2 de janeiro, mesmo para quem tentou argumentar que a doença era grave. Um dos casos mais delicados foi o da aposentada Maria Imaculada, de 50 anos. Vinda de Itu, no interior de São Paulo, ela ficou 3h30 deitada numa maca, dentro de uma ambulância, sob forte calor, para receber os sete remédios que precisava tomar ontem, entre eles um anticoagulante. Teve de ir embora sem a medicação.Maria foi operada de um aneurisma cerebral no HC há 15 dias e estava com a cabeça inchada. Mas nem mesmo os apelos da sobrinha Tatiane Fonseca, de 22 anos, aos funcionários da farmácia, resolveram. "Eles disseram que não têm remédios para casos graves." Irritada com as reclamações, uma funcionária destacou que ninguém seria atendido. Tatiane ficou com os olhos cheios de lágrimas, antes de seguir viagem.A Assessoria de Imprensa do HC foi procurada várias vezes pelas famílias e pela reportagem para tentar resolver os casos, mas não compareceu ao Prédio dos Ambulatórios. Segundo a assessoria, os pacientes, ao retirar medicamentos, recebem remédios a mais, como "margem de segurança". O pedreiro Edvaldo Gonçalves, de 62 anos, saiu frustrado da farmácia. Ele chegou ao complexo às 5h30 de ontem e depois de duas horas foi atendido. "Queria levar a insulina e remédios de osteoporose e pressão para minha mulher. Mandaram eu voltar depois porque não tem remédio", contou. ADMINISTRAÇÃOUma funcionária afirmou que os remédios estão cobertos por fuligem e, por isso, não estão sendo distribuídos. Oficialmente, o HC recomenda a pacientes que peguem remédios entre os dias 2 e 4 de janeiro. Segundo o hospital, pessoas com casos graves podem ir retirar os medicamentos normalmente.De acordo com o superintendente do HC, José Manoel Teixeira, a farmácia do Prédio dos Ambulatórios ainda não está funcionando adequadamente. Apenas os pacientes de casos urgentes, como transplantados e doentes renais, devem receber medicamentos. "Esse atendimento ainda está meio complexo, talvez não tenha ficado claro para os funcionários quem deve ou não retirar os remédios", disse. Como apenas 50% da energia elétrica do prédio foi religada, Teixeira afirma que a confusão pode ser causada pelo não funcionamento do sistema de informática da farmácia. "Isso pode estar prejudicando o atendimento", afirmou. COLABOROU EMILIO SANT?ANNA

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