Fashionistas aos pés de Esther Mahlangu

Artista da tribo Ndebele recebeu convite para criar modelo de sandália

Flávia Guerra, O Estadao de S.Paulo

18 de janeiro de 2009 | 00h00

Que Gisele Bündchen é a top entre as tops da SPFW, é censo comum. Mas quem também promete conquistar os fashionistas nesta semana é Esther Mahlangu. Estilo ela tem de sobra. Pouco antes de embarcar da África do Sul para o Brasil, há uma semana, mamma Esther, como é chamada, percebeu que havia esquecido em casa seus acessórios. Não titubeou. Pediu ao motorista que a havia levado ao aeroporto para voltar e buscar sua nécessaire. Vídeo dos desfiles, galeria de fotos e comentários no blogDetalhe: ela vive em uma fazenda em Middelburg, a noroeste de Pretória, a três horas do aeroporto. "É longe, mas não viajo sem meus colares! Mulher é igual no mundo todo. Adoramos acessórios", contou mamma Esther, em conversa na última quinta, enquanto tentava entender como a cidade pode ter tantos carros e tanta cor ao mesmo tempo. Outro detalhe é que os acessórios de Esther pesam quilos. Esther é a primeira artista de sua etnia, a Ndelebe, a ganhar projeção mundial. E está no Brasil em missão especial. É a convidada da Melissa deste SPFW. Criou o modelo da sapatilha com edição limitada, exposta no lounge da grife, e inspirou o mote da marca neste inverno: afromania. Para completar, é tema de documentário dirigido por Erika Palomino e Gisela Domschke. Apesar de esbanjar estilo, o mundo fashion não é seu território. "Já viajei muito para pintar e divulgar minha cultura, mas a desfile só fui uma vez, na África", contou ela, que estará na primeira fila de algumas grifes (as mais coloridas) desta edição. Os convites para ver OEstudio e Neon estão garantidos. Enquanto a semana não começava, Esther desfilou suas cores pela cidade. Sem abrir mão de suas vestes tradicionais, visitou o Masp, o Museu Afro-Brasil, o Mercado Municipal. "Adorei o Masp. O vermelho é lindo! E o povo nas ruas é muito simpático", contou a artista, que, mesmo sob o sol forte, não abriu mão de seu manto e seus anéis (que usa, segundo a tradição, no pescoço, braços e pernas, representando status social). "Estou acostumada. São parte de mim. Nem sinto mais o peso", contou ela que, aos 75 anos, tem energia para viajar e continuar criando. Além de ter uma fundação com seu nome, pinta murais em todo o mundo com suas cores vibrantes. "É a forma de não deixar nossa cultura morrer."Sua arte já foi sua resposta às atrocidades do apartheid. Durante o regime, em seus painéis e murais, além das formas geométricas e figuras da natureza, pintava capacetes e armas. Hoje, sua realidade é diferente, mas a rotina, apesar das viagens, não mudou muito. Continua pintando e ensinando as crianças de sua vila. Quem se interessar pelo artesanato de mamma Esther, ou quiser ?encomendar? uma de suas obras, pode ficar de olho na agenda da Galeria Melissa. Ela prometeu que vai ?fazer uma reunião entre amigas? para mostrar seus acessórios.

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